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18/07/2019 | A+ A- | 214 visualizações

Segmentos da UFSM analisam criticamente programa ‘Future-se’

Dirigentes de entidades representativas veem projeto como ameaça à universidade pública


Entidades representativas querem unir comunidade em defesa da universidade pública

Na última quarta-feira, 17 de julho, foi lançado em Brasília o programa ‘Future-se’, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). Representantes das categorias da Universidade Federal de Santa Maria falaram sobre o projeto, que visa uma inserção ainda mais intensa da iniciativa privada nas universidades públicas.

De acordo com Gihad Mohamad, professor do departamento de Engenharia Civil e diretor da Sedufsm, a proposta do MEC visa conduzir as universidades públicas à privatização. “O dito empreendedorismo, gestão e governança e internacionalização são máscaras para privatizar e cobrar dos nossos alunos. Para as pessoas de fora da universidade (mercado), soa bem as palavras do programa "Future-se" do governo como internacionalização, governança, empreendedorismo e inovação.

Para Gihad, (...) o objetivo principal destas medidas é fechar as instituições menores e institutos federais. Querer que a Universidade alavanque parcerias privadas para a inovação é desconhecer a realidade brasileira. O ministro não sabe que atualmente, grande parte dos financiamentos das pesquisas vêm de editais de empresas públicas de direito privado, que são obrigadas a investir uma parte dos seus lucros em pesquisa, ou agências de fomento”, constatou o docente.

Kauã Arruda Wioppiold, coordenador do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFSM, avalia que o projeto é extremamente prejudicial ao funcionamento da universidade pública. “O plano prejudica o funcionamento das instituições de ensino superior, ao colocar prédios e demais estruturas, que foram expandidas nos anos anteriores, como moeda de troca para a captação de recursos, uma nítida entrega do patrimônio público a empresas privadas. Ao inserir a universidade na lógica empresarial, de captação de recursos por meio da iniciativa privada, coloca a universidade como refém das empresas e do lucro, impossibilitando a realização de pesquisas voltadas à sociedade. Isso retira a autonomia universitária, um ataque à pesquisa e à soberania nacional, impossibilitando a democratização do acesso ao ensino e à pesquisa do nosso país”, destacou o estudante de Geografia.

Golpe e desrespeito à Constituição

O estudante do mestrado em Geografia e coordenador da Associação de Pós-Graduandos (APG), Bruno Traesel Schreiner, também enfatiza sua preocupação com o projeto do Ministério da Educação. “O projeto representa aquilo que já vínhamos temendo desde o golpe de 2016 e com a concretização desse governo que é ainda mais retrógrado, que não respeita nem a própria Constituição e fere a própria Leis de Diretrizes Orçamentárias, junto com a autonomia universitária. Já não tínhamos total democracia nas universidades, e agora, com o programa ‘Future-se’, se abre uma brecha para que ainda mais empresas privadas entrem na universidade. Daqui a pouco, vamos estar pagando duas vezes para algo que já é nosso – nos impostos e com mensalidades”, pontuou Bruno.

A técnico-administrativa da UFSM, diretora da Assufsm e integrante do Coletivo ‘Sempre Na Luta’, Natália San Martin, também ressalta a preocupação da categoria diante do programa. “Deixar a universidade na mão de investimento privado, de acordo com a onda mercadológica, causará imensa precarização de algumas áreas, enquanto outras atenderão interesses obscuros, distantes dos anseios dos trabalhadores. A resposta que devemos dar é nos unirmos em diálogos com a gestão das IFES e fazer atos e ações mostrando a importância do ensino, da pesquisa e extensão para a sociedade”, afirma a representante dos técnicos.

Soberania e interesses do mercado

O representante da Seção Sindical dos Técnicos de Nível Superior da UFSM (ATENS/UFSM), Clóvis Senger, fala sobre a preocupação da categoria em relação ao projeto, que prejudica a construção de soberania nacional. “Não há como pensar o desenvolvimento de um país sem um forte investimento público em educação. Com esse projeto, que não teve nenhuma discussão com os envolvidos nas IFES, o governo caminha no sentido oposto, retirando investimento público da educação superior, passando essa tarefa para os interesses do mercado. Para um governo que desde seu início elegeu a educação como inimiga, não chega a ser uma grande surpresa, a apresentação dessa proposta.

Para Senger, “o que o Brasil realmente necessita é de um projeto de desenvolvimento discutido com a sociedade, e que contemple de forma conjunta e coordenada todos os setores (educação pública, saúde pública, seguridade social, infraestrutura), o que passa necessariamente pela revogação da EC 95, por uma reforma tributária que busque a justiça social na arrecadação de impostos e por uma profunda discussão sobre as ilegalidades que envolvem a dívida pública brasileira”, defendeu Clóvis.

Para Cláudia Letícia de Castro do Amaral, coordenadora do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação (SINASEFE/UFSM), a situação é preocupante e a ação política das entidades se faz necessária. “A educação se perde em seus propósitos rendendo-se e subordinando-se ao modelo econômico vigente. O papel como entidades é nos mobilizarmos contra e seguirmos vigilantes”.

O programa ‘Future-se’ será ponto de discussão das categorias no Comando de Mobilizações da UFSM e nos próximos atos a serem pensados. Leia um pouco mais aqui sobre o programa anunciado quarta, pelo MEC.


Texto: Lucas Reinehr (estagiário de jornalismo)
Edição: Fritz R. Nunes
Foto: Bruna Homrich
Assessoria de imprensa da Sedufsm



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