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Reflexões docentes

Ideias desconectadas para o enfrentamento de um estranho mundo novo

23/04/2020

Adriana Moreira da Rocha Veiga (*)
Professora Associada do Departamento de Fundamentos em Educação, Centro de Educação, Universidade Federal de Santa Maria

O Corona Vírus pegou-nos a todos de surpresa e logo tornou-se um inimigo comum, inclusive aos estados-nações contemporâneos. E antevemos, consciências de plantão, uma nova história começando a ser escrita pela humanidade, um estranho mundo novo sendo esboçado ao qual, necessariamente temos de produzir modos de enfrentamento. Já vi até alguns visionários preverem a redenção da humanidade nessa luta comum e extremamente injusta. Nunca antes a humanidade manteve-se isolada socialmente em redutos familiares, talvez os hebreus em algumas oportunidades macabras e bíblicas em que os primogênitos eram alvo dos ditadores enfurecidos. Também algumas pragas que levaram o Povo de Deus a pintar suas casas com sangue de cordeiro para os Anjos Justiceiros as pouparem. Por isso, talvez, seja algo impossível deixarmos de lado o pensamento de quem acredita ser esta uma praga pós-moderna, pós-história e pós-estruturalista, enfim...efeito da nossa má administração dos bens comuns herdados do Criador, como florestas, fontes aquíferas, etc.

A realidade, lida a partir de uma modernidade líquida, nos convenceria de que logo vem outra praga ou alguma solução chinesa ou norte-americana. Em uma virada hermenêutica da Filosofia Pós-Estruturalista, quem sabe poderíamos produzir novos rizomas definindo o outro com a importância merecida, pois, afinal, se não o reconhecemos, com a tríade de Axel Honnet, “amor, solidariedade e direito” poderá piorar a propagação do vírus, ultrapassando as escalas já mensuradas.

Neste aspecto, reporto ao que tem ocorrido em Brasília. Uma liderança incrédula espalhando irresponsavelmente o vírus de uma “gripezinha” que poderá levar desta para pior, ou quiçá para melhor, 70 % dos brasileiros. E os 30 % que ficarem morrerão contaminados pela mutação do COVID-19, para COVID-20, 21, 22 e assim por diante. E ele, o fantoche das “nações amigas” da corte imperial, poderá ser elevado à categoria profética, já que afirmara no passado que sob seu jugo morreriam pelo menos 30 mil brasileiros. São estas apenas divagações de uma mente em isolamento social, desconectando-se do mundo digital e não querendo entrar em colapso cognitivo e muito menos emocional.

O autocontrole torna-se a cada dia mais complexo, resistindo porque há muito Paulo Freire lembrou, em “Educação e Mudança”, que a nossa existência precisa ser consciente - existimos no mundo e existindo neste mundo temos que ter consciência desse existir. Depois vieram outros, além do próprio Freire, lembrando que não somente “eu” existo no mundo; existo não apenas com o outro, mas através dele. E somente posso dizer-me docente, se eu verdadeiramente tiver discentes que estejam comigo em processo de ensino e aprendizagem.

Então, percebo também intelectuais, bem perto de mim, acreditarem que a “necessidade” de dar continuidade às aulas por meio de tecnologias digitais no período do isolamento social motivado pela Pandemia COVID-19, revolucionará a educação, do maternal à pós-graduação. Mas que absurdo isso. Eu nunca li nada e nunca observei realidade alguma em que experimentos de improviso deram certo para solucionar questões pedagógicas e didático-metodológicas. E todos os leigos parecem ter opinião formada sobre tudo em educação. E este é outro vírus compartilhado no mundo todo.

Acreditem, o melhor vírus, quero dizer, Ambiente Virtual de aprendizagem (AVA) criado pelo homem chama-se Moodle – Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment", um software livre utilizado em mais de 75 países, tendo servido como “apoio” à aprendizagem. Com o advento do e-learning (aprendizagem online) e mais recentemente do b-learning ou blended learning (aprendizagem ou ensino híbrido como se traduziu no Brasil), o Moodle ajustou-se ainda mais para corresponder ao que se pode esperar de um AVA como “apoio” à aprendizagem. O conceito de “apoio à aprendizagem” anda meio distorcido em “tempos de pandemia”.

O Blended Learning ou B-Learning teve como um de seus precursores o Dr. Charles Graham, da BYU – Brigham Young University , em português, Universidade Brigham Young , localizada em Provo, Utah, Estados Unidos, sendo uma universidade de propriedade de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, portanto privada e confessional. Esta Universidade sempre atendeu também às necessidades de divulgação da Igreja, em material didático e informativo em praticamente todas as línguas do mundo, impresso, audiovisuais e portais, inclusive uma Biblioteca que permite acessar os livros que contém a doutrina e as orientações das lideranças proféticas. Por que me detenho nessa descrição minuciosa? Porque desejo estabelecer um parâmetro comparativo.

A Educação a Distância e o Blended Learning surgiram de pesquisas sérias e os professores, mesmo tendo fluência tecnológica, para que saibam “lidar” com tecnologias, precisam aprender a “lidar” com as novas pedagogias, para além do conceito das “metodologias ativas”. Os professores com muita disposição, concordam com a experiência tecnológica improvisada, mas esta se torna um dilema na realidade que estamos vivendo.

Charles Graham partiu de uma pergunta simples “como posso melhorar o ensino e a aprendizagem por meio de tecnologias?”. Desenvolveu estudo longitudinal, trazendo o aporte teórico-metodológico ao B-Learning , inclusive a seguinte definição do termo por Graham, em 2005: “Blended learning combina a formação face a face com a formação mediada por computador”. Com a simplicidade que lhe é peculiar moveu-se ao campo prático, compartilhando pesquisas em redes do mundo todo.

Isto posto, atualmente a questão básica para ele é “em que medida o Blended Learning pode ser institucionalizado?”. E esta questão me inquieta muito ao pensar na “minha Universidade”: porque a minha Universidade tem um Programa de mestrado e doutorado acadêmico, o primeiro na área Educação a ser instaurado no Brasil; porque ela criou há tempos um Núcleo de Tecnologias Educacionais (NTE), o qual reúne experiências tecnológicas, pedagógicas e tecnológicas-pedagógicas; porque ela conta com docentes que já avançaram no aprendizado e podem atuar na mentoria dos colegas iniciantes nessa modalidade educativa; porque criou-se Unidades de Apoio Pedagógico (UAP) em cada unidade de ensino, podendo gestar um processo formativo continuado de nossos professores com excelência pedagógica.

O que estou diplomaticamente tentando pontuar é que, diante do isolamento social requerido pela Pandemia COVID-19, fomos todos levados à prática de um trabalho docente que não é EaD porque não foi planejado e nem está sendo realizado como Educação a Distância; nem é Blended Learning porque o currículo acadêmico não foi planejado pedagogicamente para esse modo de ensinar e aprender. Temos aí uma “pedagogia invertida”, pois primeiro estamos na tentativa e, talvez, depois analisemos a consequência criada por entusiastas da EaD. Digo de passagem que esse entusiasmo vem principalmente das Instituições de Educação Superior Privadas que podem assim atingir uma “clientela estudantil” maior para seus cursos. A dita “clientela” não demonstra-se contente quando está pagando por algo que vem em um formato impositivo e menos ainda se existem superexigências em um momento no qual a própria sobrevivência está em jogo. Sim, pois o COVID-19 está levando milhares de pessoas no mundo todo e em breve, milhões de pessoas. Precisamos desenvolver o cuidado de si e do outro, boas práticas de higiene e prevenção de doenças; a parada reflexiva do porquê isto está acontecendo e nesta intensidade e rapidez avassaladoras. Ainda, deixar de lado as conjecturas vazias e a crendice em movimentos de conspiração.

Eu não sou partidária de denúncias vazias e muito menos de denúncias que não trazem consigo prenúncios. Tenho lido análises, predizendo que tudo se encaminha para uma depressão econômica e financeira ao modo, ou pior, da Depressão de 1929 nos Estados Unidos da América. Mas o mais preocupante é como ficará a população menos favorecida nessa economia voraz. Os empregos desaparecendo; as famílias em desespero porque a fonte de renda está secando; não existe para quem reclamar, pois todos estão no mesmo barco, ou talvez em uma Arca de Noé na qual os animais de diferentes espécie sejamos nós, os humanos.

Independente disso, as escolas e universidades entrarão em colapso e talvez então decidam entrar em quarentena para tratar a sua neurose por aulas, conteúdos e dias letivos. Conversei com estudantes de vários cursos. Os que mais me comoveram foram os estudantes da área de saúde. Por que, alguém talvez possa me esclarecer, os futuros profissionais da saúde não estão engajados na luta contra o Corona Vírus, inclusive na pesquisa de iniciação científica? Todos dispensados das aulas práticas, inclusive formandos e quase formandos das áreas de saúde.

O pensamento corrente é o de que precisamos mostrar trabalho de qualquer jeito e isto está se mostrando danoso. “Como servidores públicos docentes ficarão ociosos em pleno ano letivo?”. Eu discordo totalmente de quem sequer levante a possibilidade de “ociosidade docente”. Notadamente, quando não estamos na escola ou na universidade, estamos conversando sobre elas, corrigindo ou planejando atividades, ou ainda nos preparando para o dia seguinte. Que outra profissão teria essa demanda por “dedicação exclusiva”? E o docente na universidade ou na escola, leva isso muito a sério. Teríamos ainda muito a estudar; participar em lives com reflexões inter/transdisciplinares; meeting entre docentes de PPG, organizando o pós COVID-19 para a pós-graduação. E ainda assim, mesmo que isso não fosse nessa direção, teríamos alunos de iniciação científica, em final de curso escrevendo o seu TCC, monografia, dissertação, tese ou relatório de estágio pós-doutoral. Gostaria de saber o que os colegas docentes e discentes teriam a dizer sobre esta realidade que nos é estranha, esta pandemia que cresce vertiginosamente, este isolamento social que nos causa estranhamento e sintomas depressivos, como medo, ansiedade, angústia, pânico, pavor pelo futuro incerto. Infelizmente não farei essa escuta atenta e sensível porque eles estão correndo para a próxima aula. Aliás, também preciso correr para “encontrar” meus estudantes, mas também tenho dúvida, o que estou fazendo seria EaD, B-Learning, virtual ou on line?

  • A Professora Adriana Moreira da Rocha Veiga é graduada em Pedagogia; Especialista em Psicopedagogia; Mestre e Doutora em Educação. Professora Associada do Departamento de Fundamentos em Educação, Centro de Educação, Universidade Federal de Santa Maria, onde atua na graduação, área de Psicologia da Educação; no Programa de Pós-graduação em Educação, mestrado e doutorado acadêmico; no Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional, mestrado profissional; no Estágio Pós-doutoral em Educação, como supervisora. Dentre os temas que pesquisa encontram-se as tecnologias educacionais, destacando-se a EaD e o B-Learning; as novas pedagogias e a gestão pedagógica. Atua há 31 anos na educação, reunindo experiências no Ensino Fundamental e Ensino Médio; ensino profissional e ensino superior.



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