Reflexões docentes

Zé Ramalho: grande performance com som ruim

Pedro Brum Santos
Professor titular da UFSM. Doutor em Letras

Devia fazer bem mais de uma década que não ia a um show desses de âmbito nacional aqui em Santa Maria. No último dia 4 de setembro, me somei à multidão que foi assistir Zé Ramalho no Ginásio do Clube Dores. Dessa condição de espectador eventual e, vá lá, um tanto anacrônico, alinhavo algumas notas e impressões da noitada, motivado, também, por imaginar que havia muito mais gente na minha condição.

Nota dez para a organização: segurança, acesso fácil, boa orientação de entrada e saída. Nesse quesito, ponto negativo apenas para o fato de que não se podia entrar com nada para comer e lá dentro a única alternativa era pastel comprado diretamente nas copas. Considerando que um espetáculo desses supõe espera de umas boas duas horas, é pedir demais do estômago do respeitável público. O público aliás, foi ponto alto da noite: entusiasta, cantou junto, em especial em hits como “Admirável gado novo”, “Chão de giz” e “Avôhai”.

Para quem pagou entre R$ 40 e R$ 160 (houve também faixas superiores) e enfrentou a noitada com tamanha animação, pena mesmo foi a qualidade do som. Definitivamente, o Ginásio das Dores que é muito bom para acomodar grandes públicos tem uma acústica sofrível. Com a altura dos decibéis, parece que tudo fica pior. Mesmo meu ouvido treinado em ruído de áudio e em decifrar cantos de estádios de futebol, teve imensa dificuldade em entender uma palavra do que era dito no palco.

Pena, porque o Zé Ramalho pertence àquele time de artistas que “bota gente pra cantar e bailar”. Animado, com um repertório cheio de balanços e ritmos que mesclam o nativo e uma pegada internacional, sua poesia profundamente nordestina e universival atravessa os tempos – prova é agrupamento de jovens e coroas que compôs o público que foi assisti-lo. É profissional em tudo - foi pontualíssimo – o show começou às 23h, exatamente no horário previsto - e sua voz rascante continua afinada naquele tom que dá um andamento peculiar a letras que misturam interesse pela mística da existência com comprometimento social.

Pena a qualidade do som. No mais, tudo foi perfeito.




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