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Reflexões docentes

Escola e sociedade

17/09/2020

Luiz Carlos Nascimento da Rosa
Professor do departamento de Metodologia do Ensino do CE - UFSM

Parece-nos que estamos vivendo numa sociedade nunca, dantes, vista! Nos ambientes de gente escolarizada temos, de forma perplexa, ouvido que a experiência do coronavírus vai mudar nossa visão de mundo e, por conseguinte, a sociedade egoísta e meritocrática que sobrevivemos. Nunca ouvimos, nessa vida prática, que sairemos melhor, mais humanos e solidários da pandemia do coronavius! Será? Isso é o medo ou culpabilidade que vivenciamos em nossa trajetória na sociedade comandada pelo Mantra Capital e seu insalubre mundo das mercadorias?

Os Empresários, e sua sede por dinheiro, querem que o poder público permita a reabertura do comércio e, neste contexto, as pessoas circulem "livremente" pela urbanidade. O que são os parâmetros sociais, hoje, para vivermos tranquilamente no seio de uma pólis que está gerida pela presença de um microorganismo que é fatal para a vida humana? Os liberais, confessos, dizem que temos que "defender a vida", mas em nome do dinheiro querem que a circulação das pessoas seja paralelo ao fatídico vírus. O vírus vai circular junto ceifando vidas humanas.

Ouvi de um gestor público, o secretário da Educação, que devemos o mais rapidamente possível voltar à sua normalidade. Como voltar à normalidade? Como controlar crianças, adolescentes e jovens no necessário afastamento social, sabendo que são pessoas que não conhecem o perigo e, muito menos, suas relações sociais e biológicas com os outros? Se um liberal autêntico, que sempre foi contra o SUS, como ex-ministro Mandeta, foi, reconhecidamente, um gestor público que explicou nossa interdependência, deixar nossa prática social à deriva de analfabetos científicos e sociais?

Os gestores que se responsabilizem pelo contexto da disseminação da Covid-19. A vida teórica e prática da escola pulula com o paradoxo de seus gestores. Os muros físicos da escola não são capazes de separar o mundo da vida social e psicológica daqueles que, no intramuro vivem, e ali decidem sobre a travessia em busca de um futuro mais digno e saudável. O conhecimento e a vida prática do ser humano vai produzindo o afastamento social e sua inerente responsabilidade social. O coronavius vai cobrar historicamente os gestores. Nossos filhos, parentes e desejos devem serem respeitados. A consciência que vivemos desfrutando as benesses e ônus da vida social, nos cobra! A vida humana é maior e mais significativa que o mundo do mercado das trocas tenta justificar. A vida humana vai e o templo do dinheiro fica! Quem paga a vida humana que se apaga?

O bufão, gerente do shopping center, vai ser um ufanista pela lógica do mercado. Nós, os pobres viventes, defendemos a primazia da vida humana. Como diz Djavan: “o amor é um grande laço, um passo para uma armadilha, um lobo correndo em círculo para alimentar a matilha”. Onde anda o desejo de nossa coletividade? Não estamos num estado de abrir nada, muito menos as escolas com crianças captando e disseminando o coronavirus. Como educador eu pergunto: que "eficácia é essa, do planejamento, que temos 1/3 das crianças na escola?". Que eficiência é essa se vamos lidar com poucas crianças no interior da escola?

O sindicato das escolas particulares quer sua mensalidade. Onde vamos parar com a impossibilidade de cuidar de nossas crianças? Um terço do planejamento não é um sério planejamento. A criança vai levar a covid-19 para a família, para o vovô e vovó, pai, mãe e amigos. O muro físico da escola não separa os nossos problemas sociais e econômicos. Os professores e seu sindicato não estão tranquilos que essa é a normativa correta.

O sindicato dos professores está defendendo a vida e não o dinheiro das escolas particulares e o voto do cidadão que vai levar professores e alunos para um brete da morte. Recorrendo à universalidade da literatura, pensamos com Sófocles quando afirma, em seu revolucionário texto “Antígona”: “eu nasci não para partilhar ódios, mas somente de amor(...) e os tiranos adoram os proveitos, por mais vergonhosos que sejam...”



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