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Reflexões docentes

O avesso da pele

05/10/2020

Vitor Biasoli
Escritor e professor aposentado do departamento de História - UFSM

A temática da negritude está em alta e o romance O avesso da pele, de Jeferson Tenório (Cia. das Letras, 2020, 188 páginas) a atualiza no cenário sul-rio-grandense. Mais especificamente em Porto Alegre, considerada a cidade mais racista do país, segundo o narrador. Um narrador muito original, por sinal. Um personagem de 22 anos, negro e estudante de Arquitetura (cotista, como ele próprio enfatiza) que se dirige ao pai assassinado durante uma desastrada abordagem policial. Uma narrativa em segunda pessoa com uma força impressionante, capaz de conquistar o leitor logo nas primeiras linhas:

“Às vezes você fazia um pensamento e morava nele. Afastava-se. Construía uma casa assim. Longínqua. Dentro de si. Era o seu modo de lidar com as coisas. Hoje, prefiro pensar que você partiu para regressar a mim.”

O pai é um professor negro, nascido no Rio de Janeiro em 1971, que se radicou em Porto Alegre por volta de 1980. Veio para o sul com a mãe e as irmãs e foi morar na Vila Bom Jesus, na casa da avó. Sofreu as agruras por que passam aqueles que têm a pele negra, mas só tomou consciência do racismo quando foi aluno de Oliveira Silveira, num cursinho pré-vestibular.

Logo com Oliveira Silveira (1941-2009), um dos fundadores do Grupo Palmares (na década de 1970) e uma das principais expressões da poesia que tematiza a negritude. Um professor, militante e poeta que é referido diversas vezes ao longo do romance, numa clara homenagem ao seu papel no movimento negro (o Grupo Palmares foi quem primeiro propôs o dia 20 de novembro como data da Consciência Negra).

Pois, o pai do narrador se faz um professor de língua portuguesa nas escolas públicas da periferia de Porto Alegre e, após 20 anos de magistério, se sente derrotado pelos adolescentes indisciplinados aos quais se propõe a ensinar. É sobre esse pai, então, que o narrador se debruça e o recompõe por meio da memória e da invenção. Um homem negro que foi massacrado não só pelo racismo (em especial aquele que se manifesta nas abordagens policiais), mas também pelo casamento (que se desfez após o nascimento do filho e que não foi superado até o fim da vida) e pela atividade no magistério público (o qual não lhe proporcionou a vida confortável que sonhara). Um homem que muitas vezes se escondia nos próprios pensamentos e que o filho vira ao avesso, num exercício doloroso de busca da sua humanidade. Uma humanidade que está além da cor da pele e que seus assassinos policiais foram incapazes de perceber.

“Estou reconstituindo esta história para mim”, afirma o narrador, o filho do pai morto. “Uma verdade inventada, capaz de me pôr de pé.” O avesso daquela imagem de homem negro, com atitudes suspeitas, que foi abordado por policiais do Batalhão de Operações Especiais, na periferia de Porto Alegre.

 

 



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