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Reflexões docentes

O bicentenário de Friedrich Engels

07/12/2020

Sérgio A. M. Prieb
Professor Titular do departamento de Economia e Relações Internacionais - UFSM

O ano de 2020 foi recheado de retrocessos para a classe trabalhadora, seja através da política implantada pelo governo Bolsonaro seja na economia, com o desmonte dos serviços públicos, na retirada dos direitos trabalhistas, no incentivo à destruição ambiental, no aumento desmesurado da violência policial e miliciana, ao descaso com a pandemia da Covid-19, na vergonhosa submissão do governo brasileiro ao imperialismo norte-americano. Em um ano de tantas perdas sociais, de quase 200 mil mortes que poderiam ter sido evitadas, não fosse a política genocida do governo federal e de seus apoiadores, ironicamente 2020 celebrou dois acontecimentos históricos para a classe trabalhadora mundial. Em 21 de abril Vladimir Ilich Ulianov, ou simplesmente, Lênin, completou 150 anos de nascimento em uma curta e intensa vida de 54 anos. Já em 28 de novembro, Friedrich Engels fez 200 anos de uma não menos intensa vida, porém relativamente longa para a sua época, 74 anos.

Como homenagem aos dois revolucionários, nada mais justo que citar uma frase de Lênin a respeito de Engels: “Não se pode compreender o marxismo e não se pode expô-lo integralmente sem ter em conta todas as obras de Engels”. O próprio Karl Marx sempre enxergou a genialidade de seu fiel amigo, tanto que no prefácio de “Para a crítica da economia política” de 1859, Marx refere-se a um texto de Engels de 1844 como sendo um “esboço genial”, cujo título era “Esboço para a crítica da economia política”, um artigo escrito para a revista “Anais franco-prussianos”, que grande influência teve para que Marx publicasse “Manuscritos econômico-filosóficos”, no mesmo ano de 1844. A crítica da economia política a que Engels se refere no tal “esboço” influenciaria também a principal obra de Marx, “O capital”, que teve somente o livro I publicado com Marx ainda em vida (1867), os livros II (publicado em 1885) e III (publicado em 1894) são organizados e, muitos dizem, praticamente reescritos por Engels a partir dos manuscritos deixados por seu amigo e camarada Marx, que morre em 1883. 

Além de sua contribuição no despertar em Marx a crítica da economia política, Engels era um especialista em temas militares, profundo estudioso da filosofia, biologia e química. Em 1873 escreve “Dialética da natureza” onde faz uma síntese materialista dialética dos avanços das ciências naturais. Em 1884 publicou um clássico do pensamento marxista, “A origem da família, propriedade privada e Estado”.

Engels tinha tudo para tornar-se um rico burguês na Prússia do século XIX, e posteriormente, na Inglaterra do século XIX. Seu pai era um próspero industrial do ramo têxtil com atuação tanto na Alemanha, em Barmen e Engelskirchen, bem como em Manchester, na Inglaterra. Engels passa a trabalhar para o pai nos negócios de Manchester como forma de sobrevivência, ao mesmo tempo em que depois do expediente na indústria frequentava os cortiços operários de Manchester, organizando a nascente e numerosa classe operária inglesa. Fruto dessa convivência de Engels com os proletários ingleses, ele publicará em 1845 a obra-prima “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, em que descreve a situação de superexploração do trabalho e penúria em que viviam os criadores da riqueza capitalista no coração do capitalismo mundial. 

A relação de Engels com o proletariado inglês, e mais precisamente com o lado mais frágil desse proletariado, os imigrantes irlandeses, chega a ponto dele relacionar-se com uma operária irlandesa, Mary Burns. Curiosamente, depois da morte de sua companheira em 1863, Engels passa a relacionar-se com a irmã dela, Lizzie Burns. Viajando seguidamente entre a Inglaterra e a Alemanha a trabalho, Engels passa por Paris em fins de agosto de 1844, onde se encontra com Marx, que juntamente com outros tantos revolucionários europeus encontrava-se exilado na capital da França. Desse encontro com Marx, que parodiando John Reed pode ser caracterizado como “os dez dias que abalaram o mundo”, surgem ideias para publicações conjuntas como “A sagrada família – ou crítica da crítica crítica” em 1845, além de “A ideologia alemã” escrito entre 1845-1846, publicada em 1847.

O destaque da sua obra e ação no movimento operário faz com que seja encarregado junto com Marx de organizar no ano de 1946 em Bruxelas, o “Comitê de Correspondência Comunista da Liga dos Justos”. O referido Comitê era uma tentativa de organizar e unificar a luta do proletariado europeu. Logo, a chamada “Liga dos Justos”, que em anos anteriores tinha sido batizada de “Liga dos Proscritos” recebe, sob influência de Marx e Engels um novo nome: “Liga dos Comunistas”. Para o II Congresso da “Liga dos Comunistas” realizado no final de 1847, é encomendado a Marx e Engels a tarefa da redação do programa da Liga. É então, que no começo de 1848 é publicado o “Manifesto do Partido Comunista”. A Liga dos Comunistas terminou em 1852, mas o texto do “Manifesto” que inicia com: “um espectro ronda o mundo - o espectro do comunismo”, e o seu encerramento com o chamamento: “proletários de todos os países, uni-vos!”, ressoa ainda hoje.  

A amizade e a parceria com Marx chegava inclusive na ajuda financeira que Engels oferecia à família Marx, que especialmente depois de seu exílio em Londres era bastante desconfortável. O mesmo valia para tantos outros revolucionários exilados em condições semelhantes que pediam socorro a Engels. 

Com a eclosão das revoluções que varrem a Europa no início de 1848, que coincidiu com o lançamento do “Manifesto Comunista”, Marx e Engels atuam de maneira efetiva nos rumos dessas primeiras revoluções de caráter popular, mas que em pouco tempo serão esmagadas pela repressão. Assim como teve junto com Marx participação ativa na criação e organização I e II Internacional.

No ano de 1869, Engels se aposenta do trabalho na indústria e passa a dedicar-se integralmente aos estudos e ações revolucionárias. Publica muitas obras de grande relevância, e mais para o fim da vida dedica-se a organizar e certamente redigir junto os livros II e III de “O capital”, que jamais conheceríamos se não fosse o seu esforço e dedicação à obra de Marx.

Apesar de sua importância na organização política, teórica e mesmo na ação revolucionária prática, os que o conheceram falam de Engels como um sujeito sempre disposto a trocar ideias com os jovens, e que apesar de seu alto conhecimento sobre os assuntos mais variados, não usava de arrogância na relação com os seus interlocutores: “Cada dia me assombrava mais do enorme alcance de seus conhecimentos, os quais expunha com facilidade a qualquer um que se dispusesse a escutá-lo. Política, estratégia, linguística, leis, histórias do Partido, literatura, ciências naturais, filosofia, todos esses assuntos eram tratados em suas formidáveis conversas”. Ao menos é o que afirma Conrad Schmidt, jovem estudante e revolucionário que como tantos procurava Engels para discutir as suas angústias e dúvidas. Foi a esse mesmo jovem que Engels em carta de 1887 referiu-se a si mesmo como, “um segundo violino”, de uma orquestra em que Marx seria o “violino principal”. Retornando a Lênin, esse escreveu no final de um artigo homenageando a memória de Engels: “Que chama do espírito se apagou, que coração deixou de bater!

Feliz aniversário, Friedrich Engels!

 



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