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Reflexões docentes

O destino é cruel e os homens são dignos de compaixão

05/01/2021

José Renato da Silveira
Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais - UFSM

Não pegar Covid nos peixinhos

De acordo com a reportagem da BBC News (Brasil), o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem mantido a média mensal de uma declaração amplamente controversa ou anticientífica sobre a pandemia de coronavírus.  

Nesta segunda feira (4), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez piada com o uso de máscara de proteção facial, defendida por especialistas como importante para conter a disseminação do vírus. Em tom irônico, o presidente disse que usou o equipamento enquanto mergulhou no recesso do litoral paulista para “não pegar Covid nos peixinhos”. O Brasil soma 196.029 óbitos e 7.732.071 casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Os dados são fruto da colaboração inédita entre Folha de São Paulo, UOL, O Estado de São Paulo, Extra, o Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia da Covid-19.

Psicopatia e a falta de compaixão

A médica psiquiatra e autora com mais de 2 milhões de livros vendidos, Ana Beatriz Barbosa Silva, afirma que “o mal existe e não tem cura”.

Na obra “Mentes perigosas: o Psicopata Mora ao Lado”, Silva diz que “o psicopata tem um transtorno de personalidade. É um estado de ser no qual existe um excesso de razão e ausência de emoção. Ele sabe o que faz, com quem e por quê. Ele não sente compaixão, pena e remorso”.

Silva reitera que: “os psicopatas nascem com um cérebro diferente. Os seres humanos têm o chamado sistema límbico, a estrutura cerebral responsável por nossas emoções. É uma espécie de central emocional, o coração da mente. Em 2000, dois brasileiros, o neurologista Ricardo Oliveira e o neurorradiologista Jorge Moll, descobriram a prova definitiva dessa diferença da mente psicopata, por meio da chamada ressonância magnética funcional, que mostra como o cérebro funciona de acordo com diferentes atividades. Nesse exame, mostraram imagens boas (belezas naturais, cenas de alegria) e outras chocantes (morte, sangue, violência, crianças maltratadas). Nas pessoas normais, o sistema límbico reagia de forma diversa. Nos psicopatas, não há diferença. O sistema límbico dessas pessoas não funciona. O pôr do sol ou uma criança sendo espancada geram as mesmas reações. Da mesma forma, não há repercussão no corpo. Eles não têm taquicardia, não suam de nervosos. Por isso passam tranquilamente num detector de mentiras”.

Na visão de Silva, “há mais psicopatas no mundo do que se imagina. Cerca de quatro em cada cem pessoas, segundo as estatísticas americanas. Mais homens do que mulheres. Todos têm em comum a ausência do sentimento em relação às outras pessoas. Não conseguem se colocar no lugar do outro, daí agirem de forma fria e sem arrependimentos”. 

Schopenhauer e a ética da compaixão

O “Messias do pessimismo”, Arthur Schopenhauer (1788-1860), dizia que “a dor é o componente básico do mundo, que toda vida é sofrimento”. No entanto, o interessante em seu pensamento é que a sua filosofia tinha um fio de esperança.

Os seres humanos – apesar de serem forças individuais egoístas (em permanente conflito entre si) - mesmo cercado de dores, angústias e tristezas, Schopenhauer afirmava que somos dotados de uma virtude chamada compaixão. "A compaixão é um fenômeno assombroso e cheio de mistério" (Arthur Schopenhauer).

Para Schopenhauer, a compaixão é um tipo de ação inteiramente altruísta, voltada para o bem-estar do outro. “É um impulso sensível de padecimento ou compadecimento frente ao sofrimento do outro”.

Na Dissertação de Mestrado de Mônica Saldanha Dalcol intitulada “A compaixão como fundamento moral em Schopenhauer”, a autora analisa que “a compaixão tal como concebida por Schopenhauer, não pode ser tomada como um sentimento humano simples, como, por exemplo, a raiva ou alegria, mas seu núcleo semântico é definido a partir de um modelo mais próximo de uma atitude de compadecimento (um modo de ver o mundo na perspectiva correta), cujo sentido preciso somente pode ser apreendido a partir da sua metafísica da Vontade. A ação compassiva envolve um estado de identificação com o outro, isto é, a partir do reconhecimento da unidade da Vontade, eu sou capaz de identificar que o sofrimento do outro possui a mesma configuração que o meu próprio sofrimento”. 

Ainda segundo Dalcol (2014, p.10-11): “nesse sentido, é importante delinear duas teorias éticas fundamentais em torno do fundamento da moralidade. Por um lado, há aquelas abordagens que afirmam que a moralidade tem como fundamento a razão; aqui podem ser destacada a célebre tradição da ética kantiana e a sua fundamentação da moralidade na racionalidade humana. Para Kant, o que unicamente pode constituir a moralidade das ações e o valor moral de qualquer coisa não é uma qualidade intrínseca dos objetos ou situações desejadas e nem a adequação destes a quaisquer fins ínsitos na natureza humana, mas unicamente sua relação a uma vontade boa (...) só é moralmente bom o que puder ser desejado com boas intenções, e o critério para determinação da bondade de tais boas intenções seria a possibilidade de que assim desejado, e suas consequências, sejam compatíveis com o que toda e qualquer pessoa quereria em situação equivalente (imperativo categórico). Por outro lado, há os pensadores que negam a possibilidade da moralidade ter como fundamento a razão: aqui encontramos os empiristas britânicos, notadamente David Hume, que sustentou que a razão não tem poder de motivar e tampouco estabelecer as qualidades morais da virtude e do vício. O valor moral resulta, para Hume, de um sentimento de aprovação ou reprovação associado a certas ações que, em si mesmas, não possuem valor moral. Schopenhauer também assumiu um modelo moral fundado numa crítica substantiva do lugar da razão na moralidade e procurou mostrar que a moralidade depende da compaixão (...) só a compaixão é capaz de conter o “gigantesco” egoísmo que responde, entre outros elementos, pelo caráter trágico e miserável da nossa condição”.

Desse modo, a compaixão para Schopenhauer envolve uma espécie de comportamento moral frente ao mundo e aos outros. Assim sendo, Schopenhauer assinala “que do ponto de vista da natureza humana, a moralidade está vinculada à dimensão emotiva ou sensitiva de nossa natureza; não há um fundamento na racionalidade para o comportamento moral; do ponto de vista da motivação, igualmente, a motivação para a ação moral não é nenhum “enfadonho dever”, mas um impulso natural e intuitivo chamado compaixão” (2014, p. 79).

Fontes:

DALCOL, Mônica Saldanha. A compaixão como fundamento da moral em Schopenhauer. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria. p. 88. 2014.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI15657-15295,00-ANA+BEATRIZ+BARBOSA+SILVA+PSICOPATAS+NAO+SENTEM+COMPAIXAO.html

https://www.bbc.com/portuguese/brasil 54902608#:~:text=%22N%C3%A3o%20adianta%20fugir%20disso%2C%20fugir,urubuzada%20que%20est%C3%A1%20ali%20atr%C3%A1s

https://br.financas.yahoo.com/noticias/com-brasil-perto-200-mil-224800627.html?guccounter=1&guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS5ici8&guce_referrer_sig=AQAAADdnrHzbNDAhiDnM4OSbcmdl5tJ3Alf047oFeRn6ht_UGXYwD21OLazoteZnfrRaRP71cBa-4dU2KVquLMQlmJMwujAOO1epFAT3kc-j-Ne1dgOSb9sJUYn0jkGEeA8xBCJGuduATKDXxzNXFIW0rduLrzF83xPpWb5QHYsCJ2uz

 

 

 



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