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Reflexões docentes

Dores da terceira idade

08/01/2021

Vitor Biasoli
Escritor e professor aposentado do departamento de História - UFSM

No final do ano passado, assisti no ‘Canal Brasil’ ao surpreendente Aos olhos de Ernesto, longa de Ana Luiza Azevedo (Brasil, 2020, 123 min.). O drama de um velho aposentado, 78 anos, que está perdendo a visão. Ele é viúvo e vive sozinho num apartamento em Porto Alegre, amparado pelo filho que mora distante, em São Paulo. Por acaso, ele conhece uma jovem trambiqueira, simpaticíssima, que intervém em sua vida de forma delicada e precisa, auxiliando-o a reorganizar a vida. Um filme a respeito dessa complicada questão da solidão dos velhos e as possibilidades de novos arranjos (nem que seja para mitigar a existência solitária).

Comentei o filme com uma amiga distante e ela me indicou um pequeno romance, que encomendei na Cesma, chegou essa semana e já terminei de ler: Nossas noites, de Kent Haruf (Cia. das Letras, 2017, 157 p.). Belo livro, outra grande surpresa. Novamente o tema dos idosos, novamente personagens da faixa dos 70 anos às voltas com suas respectivas solidões.

No caso, ambos viúvos de classe média norte-americana, morando numa pequena cidade do Colorado, naquelas casas amplas de dois andares, cercadas por jardins e quintais, que nos habituamos a ver nos filmes. Existências confortáveis, renda garantida, com filhos crescidos e distantes, mas vidas solitárias apesar de tudo.

Um dia a viúva Eddie Moore resolve fazer uma visita a um viúvo conhecido, morador a um quarteirão de distância da sua casa, e faz uma proposta inusitada: “O que você acharia da ideia de ir à minha casa de vez em quando para dormir comigo?” A ideia não inclui sexo, apenas deitar juntos na mesma cama, conversar e dormir. Eddie está com problemas sérios de insônia e acha que isso será um santo remédio.

E realmente funciona, mas o salutar arranjo dos idosos encontra dificuldades vindas de fora: dos vizinhos, os moradores da pacata e vigilante população da cidade, e especialmente dos filhos.

Para quem lida com a problemática da terceira idade, um livro e tanto. Oportuno e num tom primoroso, delicadíssimo. A vida continua apesar da velhice. “Existe, sim, espaço para mudanças e entusiasmo” na nossa idade, proclama um dos personagens, “nós ainda não estamos acabados”. Com maior ou menor intensidade, os desejos existem e há possibilidades de satisfações.

Mais não conto, para não estragar o prazer desse belo livro. Ou belo, pelo menos, para aqueles que curtem pequenos dramas, sem grandeza nem sublimidade, apenas humanos. Dolorosamente humanos, talvez.



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