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Reflexões docentes

Ciência, Religião e Universidade

01/02/2021

Amarildo Luiz Trevisan
Professor Titular de Filosofia da Educação, membro do departamento de Fundamentos da Educação. - UFSM

Existe uma visão popular errônea de que religião e ciência são inimigas. Essa visão não condiz com o cotidiano da universidade. A história da antropologia está intimamente relacionada ao estudo da religião. Frazer, Malinowski, Lévi-Strauss, autores muito importantes dessa disciplina, estudaram religiões. Durkheim e Weber, pais fundadores da sociologia, são justamente muito conhecidos por terem estudado religiões. “A ética protestante e o espírito do capitalismo” é uma das principais obras de Weber, que fala sobre o impacto econômico causado pelo protestantismo calvinista na sociedade dos Estados Unidos. “As formas elementares da vida religiosa” é uma das maiores obras de Durkheim, sendo fonte de discussões na sociologia até hoje.

Mesmo na psicologia, uma área que tem maiores ressalvas a respeito da religião, temos Freud, o pai da psicanálise, escrevendo mais de uma vez sobre religião. Minha pesquisa atual no CNPq é baseada no livro de Freud “O homem Moisés e a religião monoteísta”, apropriado não apenas para pensar o conceito de arquivo da violência na educação, mas também a relação entre violência, memória e linguagem. Ou seja, há uma potencialidade na memória das religiões para pensar diferentes temas importantes ainda hoje em várias áreas do conhecimento.

Acredito que o mundo acadêmico procura manter clara é a distinção entre “pesquisar sobre religiões” e “fazer religião”. Estudar um objeto é diferente de fazer parte dele. Esta é a diferença entre ser “pároco da aldeia” e ser pesquisador de religião, por exemplo. Eu ser adepto de uma religião não é o mesmo que eu ser cientista. Um padre ou pastor, por mais que seja especialista religioso, se não tiver conhecimento técnico e científico sobre investigação acadêmica não pode dizer que sabe pesquisar de maneira científica a sua religião. Essa é a distinção que a universidade procura preservar.

Como a C.R. ainda não é amplamente conhecida na sociedade brasileira, é comum as pessoas acharem que C.R. e Teologia são sinônimas, quando na verdade não são. A Ciências da Religião (C.R.) é um estudo sobre as religiões, sem ter compromisso dogmático com nenhuma delas e sem ser orientada por nenhuma religião em especial. Em outras palavras, cientistas da religião não respondem a hierarquia eclesiástica de nenhuma igreja, nem partem de uma tradição específica como base para seus estudos, como fazem os teólogos. Essa distinção já é suficiente para entendermos que existe uma diferença entre estudar uma religião enquanto parte dela (Teologia), e estudar religiões sem privilegiar nenhuma (C.R.). A proposta da C.R., portanto, é justamente uma expressão de laicidade acadêmica, e não o contrário. As pessoas que não conseguem reconhecer metodologicamente que existem muitas religiões e que precisam suspender seus próprios valores e dogmas religiosos para fazer o seu trabalho não podem ser consideradas cientistas da religião.

Por mais que não se pode confundir religião com a espiritualidade, sem dúvida esta é uma das formas promissoras para o seu cultivo. E o mundo acadêmico está se voltando para esta temática, de modo geral. Cito o caso do VII Encontro de Ensino e Pesquisa em Administração e Contabilidade – EnEPQ, que será realizado nos dias 20 e 21 de maio de 2021, no formato on-line, sob promoção da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração – ANPAD. Entre os temas de interesse para enviar trabalho está: Tema 2 - Inovação, Sustentabilidade e Espiritualidade na Educação em Administração e Contabilidade.

Existem cursos de C.R. nas cinco regiões do Brasil, e tanto IES municipais (Faculdade de São José, em Santa Catarina), estaduais (UNIMONTES, UEPA, UERN) quanto federais (UFPB, UFJF, UFS) possuem graduações em C.R., e não apenas universidades particulares confessionais. O curso de Ciências da Religião, criado em 2017 na Universidade Federal de Santa Maria em convênio com a Universidade Aberta do Brasil (UAB), tendo formado recentemente a sua primeira turma, composta de 44 alunos, está longe de ter sido o primeiro no Brasil. É apenas o primeiro da região Sul em uma universidade federal. Nesse sentido, a região Sul está bastante atrasada em relação ao resto do país, e a UFSM está sendo pioneira ao trazer essa formação para o estado que visa formar o professor de Ensino Religioso para atuar em todos os níveis da escola básica. Além disso, o profissional habilitado na área poderá atuar também na assessoria a movimentos sociais, empresas, comunidades de base, igrejas e partidos políticos, entre outras instituições, fomentando o cultivo da espiritualidade com vistas à elaboração das adversidades com valores como respeito, tolerância, reconhecimento e inclusão social.

Por fim, é importante frisar que a ciência por si só não responde a todos os anseios da vida humana, já que o ser humano é multidimensional por excelência. Como já dizia as sábias palavras de Paulo Freire: “A educação necessita tanto de formação técnica, científica e profissional, como de sonhos e utopias”. Ou seja, uma educação que não responda ao desejo de esperança por um mundo melhor é cega. A esperança sem ação é ingênua, já a ação sem a esperança no horizonte é vazia. Os homens encontram o seu sentido ao viver no cotidiano o esperançar. Esse é um dos papéis decisivos do estudo das religiões, a meu ver: manter acesa a chama de esperança de um mundo melhor para os que sofrem, que são vítimas de preconceitos, são subalternizados ou excluídos por um mundo que lhes nega, inclusive, a capacidade de sonhar.

 



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