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Chutar a gol

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

No mês de junho, aproveitando a vinda a Santa Maria do presidente da ANDES-SN, professor Paulo Rizzo, expusemos a preocupação dos professores a respeito dos assuntos de aposentadoria, que de tempos em tempos, volta a ser notícia na mídia. O pronunciamento do ministro Tarso Genro sobre a retirada dos direitos adquiridos, mesmo em plena Copa do Mundo, conseguiu ser manchete. Várias categorias de funcionários públicos dos três poderes estão se mobilizando.

As cláusulas pétreas de nossa Constituição mais parecem peças de dominó: desmoronam uma após a outra. Nova Reforma da Previdência já é cogitada. Cremos, ser lúcidos o suficiente para perceber que mais uma vez os funcionários público serão, de novo, a bola da vez. A Reforma da Carreira Docente acha-se também na pauta governamental. Em conseqüência da greve de 2005, que teve duração de mais de 3 meses, foi criada a classe de Professor Associado, não havendo nela a possibilidade do professor aposentado vir a ser enquadrado. Desta forma, aqueles que não se aposentaram como professor titular ficarão mais abaixo do topo da atual Carreira Docente.

O fosso será cada vez maior, principalmente para aqueles que não possuem titulação, que hoje, é uma exigência do MEC para habilitação em concurso. Queremos lembrar que Universidades, como a nossa, que só têm 45 anos, na sua implantação, convidava graduados de reconhecida competência para fazerem parte de seus quadros. Alguns participaram da instalação e, nos primórdios, não percebiam honorários, era amor à causa. Ainda na década de 1980 não era raro constarem em editais de concursos a exigência de “graduação”. De 1990 para cá mudaram as regras, perfeito, mas os que se aposentaram, amparados em legislação anterior, não poderão sofrer conseqüências de uma evolução que eles não têm mais condições de adaptar-se, pois já estão fora de atividade.

Vivemos uma época muito cruel para os idosos. Nossos governantes visam, principalmente, à produção e, os que já deram sua contribuição estão fora das metas. Esperamos poder continuar chamando a atenção para a forma que os aposentados e pensionistas são tratados. Não queremos que a camiseta de professor vá para o balaião, com o desconto de 50%, e, mesmo assim, não encontrar comprador. Portanto, vamos chutar a gol, pois, como é da sabedoria popular, quem não faz, leva.

(Publicado em A Razão no dia 10.07.2006)

* SEDUFSM



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