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A Reforma Universitária e o repensar da UFSM

Por:  Clóvis Guterres*

O processo de Reforma Universitária desencadeado pelo governo Lula, a pouco mais de um ano, tem provocado acirrados debates na comunidade acadêmica e na sociedade em geral, facilitado pela ampla divulgação dada tanto pelo governo pela mídia. Atacado tanto pelos defensores do Ensino Superior Público quanto pelos defensores do Ensino Superior Privado o projeto do governo, sem analisar o mérito, tem suscitado inúmeras reflexões.

Em Santa Maria, a SEDUFSM, como já anunciado na imprensa, planeja realizar três seminários que, no contexto de discussão da Reforma Universitária, pretende repensar a trajetória da UFSM e o seu futuro. Mais do que oportuno e necessário este processo deve não só reconstituir o desenvolvimento de nossa universidade como traçar diretrizes mais amplas que facilitem sua expansão e consolidação tanto na região como na América Latina, conforme idealizado no final da década de 60.

Repensar a UFSM é, de certa forma, repensar a universidade brasileira. Fundada em 1960, mas gestada desde a fundação da Faculdade de Farmácia, na década de 30, atingiu na década de 50 as condições propícias e legais que a levaram a transformação em universidade. Nesse intervalo de 28 anos, a contar da criação da mencionada Faculdade, o projeto de criação da Universidade de Santa Maria (primeira denominação) rompeu com o modelo de “aglomerado” de faculdades centrado no caráter profissionalizante para centrar-se na pesquisa, principalmente, com a criação dos Institutos cujo objetivo maior era “assegurar melhores condições para o ensino e para a pesquisa”.

Esse modelo implantado na Universidade de Santa Maria, assim como o modelo da Universidade de Brasília serviram de referência para a Reforma Universitária de 1968, pelo menos no que diz respeito a sua estrutura acadêmica, uma vez que do ponto de vista político o autoritarismo inviabilizou uma universidade democrática. Após 1969, a UFSM incorporou o modelo instituído pela Lei 5540. O que hoje discutimos é a substituição desse modelo já desfigurado pela nova Lei de Diretrizes e Bases assim como pela própria legislação que a sucedeu. Portanto, debater a Reforma Universitária é também repensar a UFSM.

(Diário de Santa Maria)

* SEDUFSM



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