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Fenícios, hebreus e a luta pela paz

Por:  Diorge Alceno Konrad*

A sociedade de grandes navegadores e comerciantes marcou os fenícios, entre o Mediterrâneo e a Ásia. O comércio foi o motivo de conquistas coloniais, razão de sua expansão e decadência. Hebreus que lutavam contra a escravidão, teriam recebido de Jeová, a incumbência para a busca da terra prometida, para sua base territorial e organização política. A localização destas tribos na Palestina marcou uma história de conflitos. A criação de Israel, em 1948, marcou nova fase do problema.

Desde a Antigüidade, política e religião centralizam os interesses no denominado Oriente Médio. Talvez a tradição hebraica não saiba que o seu monoteísmo tem relação indireta no Baal, uma divindade que, com o tempo, passou a designar os deuses dos diversos lugares das cidades-Estado da Fenícia. Era um passo para que não houvesse outros deuses diante Dele.

Povos tão próximos cultural e socialmente, transformados em inimigos pelos interesses comerciais e econômicos. Da Fenícia nasceu o Líbano; da Mesopotâmia, o Iraque; dos hebreus, Israel. Este passou a ser estratégico para os interesses norte-americanos na região. Lamentavelmente, a noção belicista tem afetado os governos israelenses. Com uma visão sionista do poder, têm como meta o genocídio dos povos vizinhos e a conquista de suas terras. A tradição judaica mundial, marcadamente pacifista, se envergonha por governos que praticam as mesmas barbáries cometidas contra seus povos à época da II Guerra Mundial.

E nós com isso? Deveria estar na nossa ordem do dia a luta pela paz. Finalmente, os antigos fenícios, palestinos, mesopotâmicos e hebreus poderiam viver com autonomia e liberdade, sem serem prepostos de interesses imperialistas na região inventada como Oriente pelos ocidentais, como nos mostrou Edward Said. Daríamos uma grande contribuição à paz mundial denunciando o colonialismo e o racismo, vindo de onde vier. Quem sabe defendendo um só país para judeus e árabes na Terra Santa, como sempre quis o escritor de Orientalismo, morto em 2003. O que não podemos aceitar é o discurso que combate o terrorismo, praticando o terrorismo de Estado, financiado pelos EUA, construindo dezenas de inocentes mortos dia-a-dia.

(Publicado no jornal Diário de SM do dia 14.08.2006)

* SEDUFSM



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