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A (des)valorização do aposentado

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Notícias alvissareiras. Em meio a tantas barbaridades que somos obrigados a conviver, uma boa notícia até parece gozação. Na Zero Hora de 10 de agosto, p.43, lemos que em 2030, a expectativa de vida dos brasileiros será significativamente maior, 77,3 anos para os homens e 72,6 anos para os que vivem na área rural; para as mulheres será de 86,1 anos e as que moram na área rural de 81,6 anos. À Ciência devemos, em grande parte, esta conquista, as pesquisas desenvolvidas têm proporcionado cura de doenças antes consideradas improváveis. A luta é travada para que haja um tempo de vida mais longo, e que esta seja acompanhada, paralelamente, por uma melhoria existencial.

Que as pessoas possam chegar dignamente à chamada “melhor idade”. Mas como no nosso mundinho nem tudo são flores, encontra-se no Diário de Santa Maria, do final de semana- 12 e 13 de agosto-, a reportagem “Retrato de Aposentado”. Era pedir muito, o sorriso durou apenas dois dias. O seu Hayrton Almeida, 79 anos, procura um emprego, depois de trabalhar 60 anos. A sua aposentadoria lhe mostrou a cruel realidade, que é a mesma de 24 milhões de brasileiros. Deveria perceber 2,43 salários mínimos, mas na sua conta mensal cai R$ 475,00. Mais ou menos 1 salário mínimo lhe é surrupiado, com base na lei que desvinculou o aumento dos aposentados do salário mínimo.

Como já afirmei em artigos anteriores, sou apaixonada por jornal, e me cai nas mãos a Folha de S.Paulo, 14 de agosto, B7, onde é dito que o pós-eleitoral será fértil em alterações que atingirão os aposentados do INSS e os Servidores Públicos. Comenta que não haverá aumentos generosos do salário mínimo, das aposentadorias e para os servidores públicos. O sorriso voltou, só que agora de deboche, qual foi a generosidade que os citados obtiveram nestes 12 últimos anos de governo? Gostaria de mais, que me provassem que estou pessimista. E, não querendo parar por aí, volta à cena a Nova Reforma da Previdência. Pediria aos nossos Ilustres Representantes, que ora voltam a solicitar o nosso voto, que divulgassem a suas posições frente a esta nova alteração da Constituição. E, qual a extensão que pretendem dar e quais as categorias de brasileiros que serão atingidas. Porque caso contrário até o nosso amargo fim, estaremos cantando “cara de palhaço, pinta de palhaço...”.

(Publicado no Jornal A Razão do dia 21.08.2006)

* SEDUFSM



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