Artigos

Os ferroviários

Por:  Júlio Cezar Colvero*

No dia 1º de setembro comemoramos o Dia do Ferroviário. Afloram-se à mente, a labuta da classe, assim como a constante vigilância dos seus direitos, além da preservação do patrimônio público. Atentos aos aspectos políticos, econômicos e sociais, criaram nas mentes juvenis dos seus filhos, o zelo, a persistência e a dignidade de sua influência, então ferroviária, por sua magnitude estratégica.

Nos aspectos políticos cabe ressaltar, o ímpeto nacionalista da preservação da empresa, então estatal. Lembro das históricas greves que se sucediam, ao avanço multinacional, da pressão permanente, e até da perseguição política, e da própria pressão, exercida sobre todos, mormente de suas lideranças.

Patrimônio indiscutível da Nação, do Estado e da Sociedade e comunidades citadinas, estaduais e federais, levava os membros da entidade à defesa constante, permanente e objetiva do patrimônio público. Além do trabalho, lembro-me do “corredor democrático”, que saía do quadro das oficinas, área de manobra da estação, para finalizar-se na rua Manoel Ribas. Aí seguidamente, de inopino, um ferroviário fazia uma explanação política, eram então os chamados comícios relâmpagos, sempre havia ouvintes, parceiros de trabalho e outros que aglomerarem para ouvir. Muitos trabalhadores (reais, não de apelido) não tinham rádio e as notícias eram bem-vindas.

Logo ali, nos dois lados da rua, afloraram os departamentos da maior cooperativa da América Latina. Proporcionando alimento de boa qualidade, nos diversos setores, açougue, padaria, vestuário, livraria, enfim, um verdadeiro supermercado, como os atuais. Quase desaparecida, a Coofer, que sofreu violento ataque, pois era considerada, no conjunto, reduto de anarquistas, comunistas e outros “istas”, ao sabor dos poderosos de então.

Isto sem falar do fato educacional e cultural, que persistem até hoje, como monumentos mudos de resistência. Foram-se o Hugo Taylor, o Maneco, o supermercado, atingindo até as redondezas do “Maneco”, apresentando restos das edificações que restaram. Entre outros, a Escola Ferroviária, que felizmente abriga ainda a formação tecnológica.

E a Casa de Saúde, em luta de sobrevivência, que até parece brinquedo, no jogo de interesses diversos. É sim, “patrimônio público”, e como tal é defendida pelos remanescentes e sócios da cooperativa, que lutam noite e dia para solucionar o problema. Deve sim, ser apropriada por Santa Maria, pela sua população, pelos governos, à frente da prefeitura, que hoje conta no comando, do partido do Presidente da República, que deverá assim, apoiar o desejo de todos os santa-marienses conscientes do patrimônio da cidade.

(Publicado no jornal A Razão do dia 11.09.2006)

* SEDUFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet