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Aonde foi parar o Governo Popular?

Por:  Ricardo Rondinel*

Tinha a esperança de que com a Administração Popular, que governa a Cidade desde 2001, as decisões sobre passagens de ônibus levassem em consideração o poder aquisitivo da população. Segundo a Lei Orgânica Municipal, a tarifa de ônibus deve considerar o poder aquisitivo da população e os custos operacionais das empresas.

Sancionada a Tarifa de R$ 1,80 teremos um aumento de 125% no período de governo da Administração Popular. A passagem era de R$ 0,80 em dezembro de 2000. Nesse mesmo período o poder aquisitivo da população local aumentou 37%, abaixo da inflação que foi de 56%. Esse poder aquisitivo vem acumulando perdas significativas e a passagem de ônibus continua subindo.

A esperança era de que um Governo Popular considerasse o poder aquisitivo da população da cidade que utiliza ônibus. A dura constatação é de que isso, nos últimos anos, não foi levado em consideração. Na hora de aumentar as passagens, a Prefeitura tem sido muito tolerante com o lucro dos empresários, mas sem nenhuma preocupação com o trabalhador assalariado que usa o transporte coletivo.

A Prefeitura editou um Decreto em 2 de agosto passado, fixando a metodologia de cálculo das passagens sem ouvir ninguém. Entidades como o Conselho Municipal dos Transportes, Câmara de Vereadores e Orçamento Participativo não foram ouvidos. E trata-se de uma “Administração Popular”. Esse decreto fixou arbitrariamente alguns coeficientes utilizados nos cálculos das passagens sem dar nenhuma explicação de como se fez o cálculo.

Com as informações que dispunha, revisei o cálculo tarifário e cheguei a um valor de R$ 1,68. Acredito que seja menos que isso. O parecer elaborado rejeitava o valor da tarifa de R$1,82 e pedia mais informações para poder fazer um cálculo do valor real da tarifa. Mas, essa possibilidade não foi concedida. O entendimento da Prefeitura e dos Empresários era de que não precisava mais tempo. Não vislumbro preocupação, por parte da Prefeitura, em querer discutir com a comunidade esse assunto. O que mais preocupa hoje é o silêncio, quase que absoluto, da classe política, dos candidatos a deputados estadual e federal, das entidades estudantis, comunitárias e sindicais. Mas nem tudo está perdido, pois a luta continuará.

*Ricardo Rondinel é Representante da UFSM no Conselho Municipal dos Transportes

(Publicado no jornal Diário de SM do dia 25.09.2006)

* SEDUFSM



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