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O “pensamento único” no pampa gaúcho

Por:  Décio Auler*

A empobrecida, estagnada, atrasada Metade Sul do RS. Precisamos fazer algo. Em 1500, os europeus trouxeram progresso, civilização e cultura. Hoje, as empresas que promovem o florestamento para a produção de celulose irão alavancar o desenvolvimento desta região do RS, gerando progresso. Em 1500, “compraram” índios brasileiros com espelhos. Hoje, silencia-se a crítica através da promessa de empregos (sugestão de filme: O Jardineiro Fiel). Há um quase total silenciamento de possíveis impactos sociais/ambientais/culturais.

Contudo, em março de 2006, a Federação dos Trabalhadores da Agricultura (FETAG/RS) enviou carta ao Governador do Estado destacando que não teve o devido espaço para discutir e inserir as demandas dos agricultores familiares (http://www.natbrasil.org.br/html/noticias_2006/fetag_manifesta_preocupacao.html). Também, em março, houve a destruição do “laboratório” da Aracruz, com grande repercussão na mídia. Mas, alinhada ao pensamento único: um juízo de valor que criminalizou os movimentos sociais, que omitiu ou desqualificou os argumentos que motivaram a destruição(http://www.mmcbrasil.com.br/noticias/index.html).

Segundo o doutor em Geografia Humana da USP, Ariovaldo de Oliveira, as mulheres da Via Campesina deram dois recados: primeiro, não é mais possível continuar o descaso com o meio ambiente e, segundo, as pesquisas científicas têm que ter finalidade social e não ser contra a sociedade (http://www.mmcbrasil.com.br/rs/noticias/230606_entrev_ariovaldo.htm). Esse processo de imposição do “pensamento único” também sofreu impactos no âmbito legal. Conforme noticiado pela CRBIO-3º região, em 12/06/2006, a Justiça Federal decidiu que o Governo também terá que veicular, na propaganda, possíveis aspectos negativos vinculados à monocultura. (http://www.crbio3.org.br/noticias/index.php?id=840&idcategoria=6).

Neste cenário, como educadores, para questionar o “pensamento único”, para a abertura de canais de debate, sugerimos para leitura: a)conseqüências sociais, culturais e ambientais deste modelo de "desenvolvimento" (www.defesabiogaucha.org/); b)falácia da geração de grande quantidades de empregos, monocultura e sustentabilidade (www.natbrasil.org.br/monocultura.htm); c)histórico da Aracruz Celulose no Estado do Espírito Santo (www2.fase.org.br/downloads/2004/09/552_relat_des_esc_port.pdf ).

*Também assina este artigo Márcia Soares Forgiarini,

Mestranda na UFSM.

(Publicado no jornal ARazão do dia 25.09.2006)

* UFSM



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