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Voto nulo: festa na Casa-Grande

Por:  Diorge Alceno Konrad*

A existência de dois turnos nas eleições é um mecanismo democrático para que possamos escolher aquele que reúne as melhores condições políticas, de acordo com o rumo que queremos para o País.

Pode-se concluir que nenhum daqueles que chegou à disputa final merece a confiança do eleitor. Este pensamento tem sido reforçado com o argumento de que as candidaturas, especialmente as nacionais, são iguais e representam o mesmo projeto.

Porém, na luta política, qualquer um que desconsidere a correlação de forças nos embates, em especial para aqueles que defendem caminhos de avanço e mudanças, tendem, na prática, a auxiliar as forças conservadoras, justamente aquelas que mais acreditam combater.

Na conjuntura atual, marcada ainda pela ofensiva mundial do neoliberalismo privatista, individualista e entreguista, o voto nulo é decorrente da confusão política sobre os campos em disputa. O voto nulo é uma aliança implícita entre o protesto sem conseqüências e o aprofundamento da dependência externa; a capitulação ao interesse comercial dos EUA na ALCA e o desmantelamento do Mercosul; o retorno das privatizações, o aumento da criminalização dos movimentos sociais e a retirada dos direitos históricos dos trabalhadores, com um provável impacto negativo na resistência da América Latina.

O voto nulo, diante das forças políticas e sociais em luta, é um perigoso erro político e mais uma possível traição aos interesses do País e dos trabalhadores. A posição de neutralidade, estruturada pela retórica pseudo-radical e moralista, significa, objetivamente, a tomada de partido por aquele projeto que levará mais água ao moinho do principal inimigo dos brasileiros na atualidade: o desmonte do Estado, o desemprego e a submissão unilateral ao Império.

Sabemos que a eleição não é o limite da democracia que queremos. Mas, aos movimentos sociais, que não se pautam pelos temas e ritmos impostos por uma espécie de lacerdismo despolitizado, que tem como alvo colocar a classe média e os trabalhadores a mercê de projetos que não são os seus, resta o caminho da opção consciente entre o programa que mais fará avançar a luta para as mudanças que tanto se necessita no nosso País. É nesse sentido que o voto nulo não interessa aos trabalhadores, apenas à Casa Grande e à Casa Branca. Nem na escolha do presidente, nem na escolha do governador.

(Publicado no jornal A Razão do dia 23.10.2006)

* SEDUFSM



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