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"O que será o amanhã..."

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

As cartas estão lançadas. Não mais interessa se houve perdas ou ganhos, individuais ou partidários. Agora é buscar encontrar o caminho do desenvolvimento. Os Governos, Federal e Estadual e o Legislativo, que tiveram parte de sua bancada renovada, têm de trabalhar com honestidade e firmeza, cada um dentro de sua área de ação, sem rasteiras nem jogo de corpo irresponsável. Tem de se buscar o caminho mais rápido e sério para diminuir os problemas que enfrentamos, já que estamos entre os países que menos crescem na América Latina.

Vamos cumprir o que está nas leis. Governo nenhum tem a nossa procuração para desobedecer. Portanto, fim às medidas provisórias, que sejam usadas somente em situações onde são previstas. O Governo, que governe, e o Legislativo que cumpra sua missão, legisle. Para isso, sim, lá foram colocados com o nosso voto. E, por que deixar de fora, o Judiciário? Este que se atenha a manter os olhos vedados e a balança na mão. A independência dos três poderes é fundamental. Educação, Saúde e Assistência Social devem formar o tripé a ser defendido, de forma geral, em nível federal, estadual e municipal.

O ensino proposto pelo saudoso Darcy Ribeiro, com tempo integral, dando possibilidade para que os pais trabalhem, sem que por isso as crianças fiquem desprotegidas. Necessitam sim, de amparo oficial. A remuneração do magistério tem de ser urgentemente revista. O professor não pode correr para cumprir doze horas-aula frente ao aluno, diariamente, para manter sua família. O professor precisa de condições financeiras para comprar livros e ter computador em casa, para sua atualização.

Quando os fracos níveis educacionais brasileiros aparecem nas pesquisas mundiais, cria-se uma onda de espanto nacional. Será que a nossa classe política é incapaz de perceber que com dois salários mínimos ninguém se atualiza? A revisão do salário dos professores é um dos maiores desafios dos atuais governantes.

A criação de universidades espalhadas pelos quatro cantos do país tem que estar alicerçada num planejamento orçamentário. Ao professor de ensino superior é exigida titulação de doutor, o que equivale mais ou menos a 22 anos de estudos e seu vencimento é um dos mais baixos na tabela salarial dos demais funcionários federais. Seu salário básico não ultrapassa a três salários mínimos. E, os aposentados estão sempre com a espada de Dâmocles sobre a cabeça. Ignora-se qual será a sua situação na próxima Reforma de Carreira. O mais temido é o limbo. Política de arrocho salarial para a Educação é faca de corte certeiro e tiro no pé para o desenvolvimento.

(Publicado no jornal A Razão do dia 06.11.2006)

* SEDUFSM



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