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O esperado crescimento econômico

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

O Brasil conheceu historicamente uma das mais ricas experiências de crescimento econômico do mundo capitalista (os casos da União Soviética e da China, saídos de uma sociedade feudal e atingindo em poucos anos o estágio de potências mundiais são um caso à parte). Foi esse crescimento que possibilitou ao nosso país sair da condição de uma economia meramente agrária nos anos 30, para nos próximos 50 anos conhecer taxas de crescimento do PIB em média superiores a 7% anuais, chegando nos anos 80 a atingir a condição de oitava economia do mundo.

É verdade também que este período de prosperidade não foi acompanhado por necessárias transformações de ordem social até hoje não resolvidas, como a questão da absurda concentração de renda e da propriedade rural. Este ciclo foi interrompido no início dos anos 80 pelo então comandante econômico do regime militar, Delfim Neto (hoje aliado do governo Lula), que com imposição de medidas restritivas ao gosto do FMI fez o país entrar em um ciclo de estagnação que, entre idas e vindas, permanece até os dias de hoje.

Excetuando curtos períodos em meados dos anos 80 e 90, o país tem obtido taxas de crescimento pouco acima de 2%, sendo que a média obtida pelos quatro anos de governo Lula não deve ultrapassar 2,6 %. Atualmente, às vésperas do segundo mandato do presidente Lula, esta discussão volta à tona, sob a forma da polêmica entre o setor “desenvolvimentista” do governo e os “ortodoxos”. Afirmam os primeiros, que seria hora de a economia obter senão o tão falado “espetáculo do crescimento”, ao menos uma taxa de 5% anuais, o que se estima, poderia gerar 1,7 milhão de empregos. Essa polêmica cria uma falsa ilusão de que o governo Lula estaria ainda em disputa, o qual ainda seria digno de apoio para que vença o embate interno entre as forças conservadoras e progressistas.

Na verdade, é ilusório pensar em uma virada da política econômica vinda do seio do próprio governo, o que não ocorreu em quatro anos de mandato. Uma mudança efetiva nos rumos da política econômica somente pode dar-se através de uma grande pressão vinda do movimento de massas organizado, isto se conseguir libertar-se da dependência e aparelhamento de que hoje sofrem.

(Publicado no jornal Diário de SM do dia 06.11.2006)

* UFSM



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