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“Reformas” que não solucionam

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

As reformas governamentais de ajuste do Estado, buscando, em várias frentes, adequá-lo às imposições dos organismos internacionais, são pintadas como a solução para as mazelas brasileiras. Porém, a defesa da universidade pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada só pode ser feita no plano da defesa da mais ampla democracia, da defesa da liberdade e autonomia sindicais de organização. Devemos levar em consideração que todo esse processo é vivido em tempos de absurda carência de recursos. Instala-se na categoria docente o mito do alto clero e do baixo clero; a defesa de diferenciações salariais entre os docentes, diferenciação também na escala de poderes e de representação. Esse é o grande debate. Os que, do interior da universidade, travam uma luta pela descaracterização desta e pela destruição do nosso sindicato, buscam aparecer como o alto clero, que quer dar um salto de qualidade contra os corporativistas que, segundo eles, levam nossa instituição à bancarrota, falência intelectual por interesses meramente políticos.

A “reforma” sindical, em implementação pelo governo como superação do corporativismo, nada mais é do que a constituição da burocracia estatal no seio da classe trabalhadora. Permitirá ao governo e ao empresariado caracterizar como atos anti-sindicais formas que o movimento veio elaborando e conquistando ao longo do tempo. A CUT é hoje o pilar de sustentação da destruição da liberdade e autonomia sindicais, ainda que proclame em alto e bom som, que estaria patrocinando uma lei de liberdade sindical. Responder a essa multiplicidade de iniciativas e ataques é responsabilidade do movimento social organizado e não pode ser feito de maneira dispersa, que venha a dividir forças.

Sabemos que em 2005 teremos de gerar políticas de enfrentamento com o governo na sua sanha destrutiva dos direitos dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, defender as organizações que efetivamente são combativas e que não se deixam seduzir, entre as quais está o ANDES-SN. Não se trata apenas de defender um patrimônio construído, parte indelével da história do movimento social brasileiro. É mais do que isso. É dar continuidade à luta pela organização autônoma e democrática, o que expressa o contraponto necessário ao oficialismo sindical que as forças dominantes pretendem fazer recrudescer. É persistir na articulação com todos os trabalhadores na perspectiva de um projeto de sociedade emancipador e democrático. Neste sentido, a SEDUFSM conclama a todos a participar desse processo. A luta continua.

* SEDUFSM



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