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Uma radiografia política do país

Por:  Fritz Nunes*

Pelo menos 250 pessoas prestigiaram as três palestras do I Colóquio sobre comportamento e instituições políticas, que teve como tema um balanço das eleições e as perspectivas do novo governo. A novidade desta atividade, além da parceria entre SEDUFSM, comemorando 17 anos, as Ciências Sociais da UFSM e o Núcleo de Estudos Legislativos, foi a transmissão, via internet, das palestras. Nas três noites, cerca de 100 internautas acompanharam os debates, muitos deles perguntando aos expositores de pontos diferentes do estado e do país. Quem não acompanhou as discussões, certamente perdeu a oportunidade de obter informações abalizadas sobre a estrutura política do país.

O tom das análises políticas foi de um otimismo comedido. Praticamente todos os painelistas consideraram que os problemas éticos enfrentados pelo PT de 2005 para cá foram prejudiciais ao partido e ao país, havendo frustração, mas que, por outro lado, a corrupção não seria um fato novo e, que, por minha conta, simplificando o que foi dito durante os debates, a população teria referendado novamente o governo Lula em função de que houve uma percepção de que a economia, ainda que timidamente, teve um pequeno crescimento e, principalmente, as políticas sociais tiveram ênfase.

Um dos palestrantes, Rogério Schmitt, da Tendências Consultoria, destacou que as pessoas “votaram pensando no seu bolso”. Ressaltou que, se por um lado economia teve crescimento entre 2% e 3%, para as camadas mais pobres, esse crescimento foi em torno de 12%. Em todo mundo é assim, disse Schmitt, as pessoas votam comparando se a sua vida melhorou ou piorou com o governo.

A análise mais ácida em relação ao Partido dos Trabalhadores ficou por conta do professor Jairo Nicolau, do IUPERJ. Para ele, tem que se ter muito boa vontade para manter o PT como um “partido de esquerda”. Nicolau afirma que o partido hoje se encontra no “centro” dentro do espectro partidário e, que, ao abandonar certos pressupostos doutrinários da esquerda, tem perdido apoios junto à classe média, servidores públicos e movimentos sociais. A constatação de Nicolau para o PT é: sofre uma “refundação” ou tenderá a ser no futuro apenas um apêndice dos “feitos” do governo Lula.

(Artigo publicado no jornal Diário de SM do dia 27.11.2006)

* SEDUFSM



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