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Quando vim para Santa Maria...

Por:  Diorge Alceno Konrad*

Quando vim para Santa Maria, passei a correr pelos campos da Fazenda Santa Marta. Era o ano de 1984, o último da Ditadura. Como alunos, fazíamos exercícios comandados por militares do Núcleo de Oficiais da Reserva do Parque de Manutenção. Um dos maiores objetivos para mim era ser acadêmico da UFSM, enquanto professores já lutavam por uma Universidade cada vez mais gratuita, pública e de qualidade.

Quem diria que, quase 23 anos depois, mais do que conquistado aquele sonho, esta Universidade se transformou em meu local de graduação e de trabalho. Nela construí parte fundamental das raízes que me tornaram, junto com tantos, educador, historiador, pesquisador e militante dos movimentos sociais e políticos da UFSM e de Santa Maria, em especial do movimento sindical docente.

Em 30 de novembro último, nosso Sindicato presenciou a Orquestra Sinfônica de nossa cidade junto à Escola Marista Santa Marta. Foi o coroamento das comemorações dos 17 anos da SEDUFSM. Que bela noite! Ver o sonho concretizado de tantos moradores que marcou a história de Santa Maria, os quais, na boca de seu monte nos brindaram com a magia dos corais Vidas em Canto e Canto e Magia, acompanhados pelos músicos de nossa orquestra.

No lugar do descampado, milhares de moradores de uma comunidade que transformou, através da sua luta, o sonho por moradia em suas histórias de vida. Ao fundo do palco, luzes brilhavam em direção ao centro da cidade.

No mês de comemorações do aniversário de nossa entidade, iniciado com palestra sobre o legado de Paulo Freire, continuado com um Colóquio que trouxe convidados de várias partes do país para debater o balanço das eleições e as perspectivas do novo governo e com o lançamento de um livro que externou o pensamento variado dos professores da UFSM em jornais locais, fechamos nossa programação no bairro Nova Santa Marta.

Na noite do dia 30, enquanto assistia a apresentação, lembrei dos últimos anos. Estava ao lado da companheira que construiu comigo esta trajetória e de vários colegas, de velhos e novos amigos que continuam acreditando nos ensinamentos de Freire para que um dia tenhamos acesso universal a todos os níveis da educação.

Nos nossos 17 anos fomos nós professores da SEDUFSM e a comunidade de Santa Maria que ganhamos os maiores regalos: educação, política e música. E estes continuam nos ensinando, a partir da nossa província, a querer mudar o mundo. A utopia de muitos que aqui nasceram ou ficaram e para tantos que aqui passaram e partiram.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 04.12.2006)

* SEDUFSM



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