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A reeleição de Lula e Chávez

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

Recentemente dois presidentes latino-americanos se reelegeram em seus países, Lula no Brasil e Hugo Chávez na Venezuela. Por mais que seja natural a busca de similitudes entre os dois, até por suas origens de classe, o que se observa ao findar seus mandatos é que as diferenças entre seus governos saltam aos olhos de qualquer observador medianamente informado. Ambos assumem com grande popularidade, o que lhes garante respaldo para ações mais efetivas e ousadas no sentido de atender as demandas populares em detrimento dos interesses da burguesia tanto local como estrangeira, seja industrial, agrária como financeira.

Chávez opta por este caminho, ao buscar o apoio do movimento de massas e da população historicamente explorada pelo grande capital para sua cruzada em prol de uma “economia humanista alternativa”. Chávez para isso não teve medo de enfrentar a ira do imperialismo e do seu fiel aliado, a burguesia venezuelana, ligada historicamente ao lucrativo negócio do petróleo, agora prejudicado pela virada política econômica, que prioriza a redistribuição em termos de igualdade, a riqueza produzido na Venezuela. Este apoio popular fica claro na infeliz tentativa de golpe para depor o presidente, que graças a reação popular não vingou. No campo, Chávez institui a “Lei de Terras e Desenvolvimento Rural”, uma verdadeira e necessária reforma agrária em um país que importava quase todos alimentos consumidos, sendo que 70% das terras estavam nas mãos de meia dúzia de latifundiários.

No Brasil, Lula preferiu fazer acordos com o Congresso e não com o movimento de massas, o que resultou na compra de apoiadores, resultando no famoso escândalo do “mensalão”. Visando agradar os banqueiros e especuladores, já na “Carta aos Brasileiros” deixa claro que os seus interesses não seriam afetados e dentro dessa lógica, implanta uma política econômica antipopular e conservadora.

Ao invés de por em prática uma efetiva reforma agrária, faz um arremedo disto, preferindo apoiar o agronegócio liberando 1 bilhão de reais para os produtores de soja. Ao propagandear à exaustão o investimento no bolsa-família, esquece de dizer que gastou quase 2000% a mais no pagamento da dívida pública. Além de ter feito a reforma da Previdência contra os interesses dos trabalhadores, deverá realizar no próximo governo as reformas trabalhista e sindical, visando tirar direitos adquiridos dos trabalhadores e diminuir seu poder de resistência. São dois caminhos opostos, felizes são os venezuelanos.

(Publicado no jornal A Razão do dia 11.12.2006)

* UFSM



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