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UNI, DUNI TÊ, O ESCOLHIDO FOI VOOOCÊ!

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Não sei se vou cansar de falar na Previdência ou se ela que gritará: já chega! Aí então, veremos a sua verdadeira cara. Faz exatamente sete anos que discuto sobre ela. Tudo começou para mim, em 1999, no governo FHC. Tínhamos os que eram a favor da Reforma da Previdência, os contrários e os intestinamente contra. Anos depois, em 2003, a maioria começou a pensar diferente: a Reforma foi aprovada.

Em 2005 são salvos pelo gongo do senador Paulo Paim, uma parcela de futuros e atuais aposentados com a alteração de alguns itens da Reforma. No crepúsculo do 1º mandato do Governo Lula, a Previdência voltou a ser notícia. No pacote entregue ao Presidente, enxerguei a cara dela. As imagens que vejo, sempre que nova notícia aparece na mídia, me dá cada vez mais certeza, que aquela palidez mórbida é maquiagem. Não vou repisar o que já citei em artigos anteriores, vamos ao que está sendo apresentado hoje. Vocês, já jubilados, ou os que estão por ser, não sei o que sentem. Eu sinto náuseas.

Depois de meses de “bondades” pré-eleitorais, o pós-eleições se nos apresenta com a proposta de desvinculação do piso salarial da Previdência do salário mínimo. Hoje, este piso já é desumano, aliás, ambos o são. Os idosos já pagam um custo alto pelo crime de sobrevivência, principalmente, com os preços de medicamentos. Mas, isso não importa. Interessa é encontrar uma saída, e a Previdência tem sido a bola da vez. Sempre é bem aplaudida.

Encontrei na Folha de S.Paulo do dia 15.11.2006, pág. B4, um artigo do Vinícius Torres Freire, que declara o que venho afirmando quando se fala de regras especiais de aposentadoria. Diz ele: “O objetivo da maioria das regras especiais era incentivar a formalização do trabalho. Mas, as regras causam distorções, fraudes, desigualdades de tratamento e, segundo muitos especialistas, a conta não deveria ir para a Previdência. Se a decisão é subsidiar setores sociais, o dinheiro deve constar do Orçamento Federal...” Recebi um e-mail me subsidiando. No Senado nasceu a PEC 457/05, de autoria do senador Pedro Simon, aumentando a idade mínima para as aposentadorias compulsórias, de 70 para 75 anos. Justificativa, a idade de vida do brasileiro aumentou para 68 anos. Só cantando o samba de Jorge Aragão, “respeite quem pode chegar aonde a gente chegou.”

Última notícia: quem quer ganhar R$ 24 mil? Se desejar, é só começar a preparar o seu lugar para a próxima eleição à Câmara Federal. Não há exigência de titulação e nem de “otras cositas más”.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 18.12.2006)

* SEDUFSM



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