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A música deve conscientizar?

Por:  Fritz Nunes*

Talvez, o que eu venha dizer nas próximas linhas não seja do agrado de alguns, entretanto, de vez em quando, já que não é possível sempre “remar contra a maré”, é bom quebrar determinadas verdades estabelecidas. E uma das verdades impostas pela indústria mercanti-cultural, que trabalham com o “gosto popular”, é de que música boa é aquela de letras fáceis e que faz a ‘galera’ dançar.

Nada mais simplista do que esse pensamento. A qualidade de uma música se mede pelo seu conjunto, com equilíbrio entre letra e harmonia. Ela deve nos trazer prazer, o que não impede que também nos leve a pensar, gerando consciência. Isso representa um pouco do que foi discutido no Cultura na SEDUFSM da última segunda, 11, que abordou o tema “Música e transformação social”, e que continua nesta segunda, 18, no auditório do sindicato docente.

Para as diversas abordagens sobre estilos foi consenso de que a arte musical muitas vezes reflete uma realidade social e, por isso, pode servir para contestar valores, sejam morais, políticos ou sociais. O entendimento serve para a música negra surgida nos Estados Unidos, raiz, aliás, de diversos ritmos musicais como o jazz, o blues e o rock and roll. O canto de lamento dos escravos em terras norte-americanas gerou o gospel (música cristã), mas também evoluiu para o blues e, mais tarde, para o próprio rock.

No Brasil, país onde os negros, ao contrário do que ocorreu com os escravos dos Estados Unidos, podiam tocar tambores e outros instrumentos de percussão, gerou-se o samba, o ritmo mais popular do país, responsável pelo surgimento de uma festa genuinamente nacional: o carnaval. Já o rock and roll sempre terá um capítulo especial quando se fala da música em relação aos processos de transformação social. A gênese roqueira se encontra na contestação, na oposição ao establishment.

Coincidentemente ou não, o que se percebe é o vínculo musical com os movimentos de contestação. E, a segunda parte dessa história certamente dará conta disso, trazendo à tona outros ritmos que falam de transformação, embutidos na música clássica, latino-americana e gaúcha. Um presente para corações e mentes.

(Artigo publicado no jornal Diário de SM do dia 18.12.2006)

* SEDUFSM



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