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Herança maldita

Por:  Nilton Bertoldo*

Quando o governo do senhor Germano Rigotto foi taxado de medíocre por determinados setores da sociedade rio-grandense e alguns escoliastas da mídia, a maioria daqueles integrantes não gostou, pois considerou como paráfrase, ofendeu-se, e procurou, de maneira pouco convincente, explicar o indefensável. Exemplo disso foi o senhor Luís Roberto Ponte, que em suas várias entrevistas, afirmou que não houve tarifaço, que o imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) tinha diminuído, que era um dos mais baixos de todo o país etc. e tal. Mas, não convenceu ninguém, pois não somos beócios. Por isso, eu afirmo: o governo Rigotto foi péssimo, desastroso, mostrando ao povo gaúcho que apenas foi uma nova versão do governo Britto.

O enorme valor do déficit estadual em reais, deixado como herança anatemática ao novo governo é controverso: uns falam em 3 bilhões, outros em 7 bilhões, alguns em 20 bilhões. Mas, de onde saiu tudo isso? Explico, não é de agora; vem de outras administrações. Para o leitor ter uma idéia, somente no governo Rigotto, entre renúncias, benefícios fiscais, perdão de dividas, etc., o montante vai de 3 a 7 bilhões de reais, sendo que essas benesses e prebendas favoreceram,aproximadamente, as 130 maiores empresas do estado. Além disso, fala-se que Rigotto e seus aliados governaram garantindo o pagamento da divida estadual que sangra os cofres do Rio Grande para beneficiar as duas mil famílias mais ricas do Estado (segundo um panfleto do P–Sol, de 2005). E para as micro, pequenas e médias empresas bem como para a maioria dos servidores do Poder Executivo, como diria Machado de Assis, as batatas!

Não bastasse isso, mesmo com o estado falido, apoiado por alguns políticos irresponsáveis e inconseqüentes da Assembléia Legislativa, o governo concedeu 28% de aumento salarial - uma verdadeira esbórnia remuneratória - a determinadas categorias de servidores que já são muito bem pagos pelos serviços que prestam, além de permitir a criação de 650 cargos de confiança, os famigerados CCs, para um determinado Poder.

Estes vezos cristalizam-se em péssimo exemplo para o povo gaúcho e constituem-se em esgares por parte dos governantes.

Os solecismos continuados do governo Rigotto traduziram-se num ramerrão interminável de seus aliados para justificar a panacéia adotada para o nosso estado e a resposta veio nas urnas, pois o fartum que exalava, sem nenhum labéu, foi felizmente afastado, pelo menos temporariamente!

Está na hora de a classe média, dar um basta a essa oligarquia privilegiada.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 15/01/2007)

* UFSM



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