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Filiação à CONLUTAS: Sim

Por:  Luis Eduardo de Souza Robaina*

O surgimento dos sindicatos está relacionado à necessidade dos trabalhadores de se organizarem para obter e manter direitos, melhorando suas condições de trabalho e de vida. O papel dos sindicatos e das organizações de trabalhadores deve ser de catalisar a mobilização destes sobre a base de suas pautas específicas e gerais permitindo que enfrentem os ataques aos seus direitos patrocinados pelo governo e seu modelo neoliberal.

Os discursos contrários à unificação das lutas se baseiam na existência de vários momentos na história da organização sindical e partidária onde categorias ou grupos se desviaram dos interesses da maioria e através de ganhos individuais ou de pautas específicas, desgastaram e enfraqueceram os movimentos. Não entendem, por ingenuidade política, ou escondem, por posição ideológica, que a perda de direitos e o arrocho salarial só têm ocorrido por nossa incompetência na construção de um movimento unificado e geral. O individualismo, a desorganização e a desunião de classe são nossas fraquezas, que têm sido muito bem exploradas pela classe dominante.

Desde os primórdios do capitalismo as vitórias dos trabalhadores se deram pela sua capacidade de organização e união. Como exemplo, podemos nos reportar para a Grã-Bretanha, centro da indústria moderna do século XIX, quando as grandes greves eram combatidas, pelos empresários, apoiando-se na mão de obra estrangeira, principalmente francesa. O sindicalismo britânico teve de buscar a solidariedade de classe, pedindo apoio aos trabalhadores franceses, aos quais haviam apoiado ao defender a revolução francesa durante os últimos anos do século XVIII.

O 26º Congresso do ANDES-SN tem como tema central “Reconstruindo a unidade dos trabalhadores para enfrentar as velhas reformas do novo governo”. O ANDES por determinação de Assembléia têm participado ativamente na organização de fóruns que aglutinem e coordenem as lutas e ações de sindicatos e movimentos sociais de resistência a política neoliberal, especialmente, a Coordenação Nacional de Lutas (CONLUTAS), originado no encontro de trabalhadores realizado em Luziânia (GO) em março de 2004, por entender a necessidade de resgatar a tradição de solidariedade dos trabalhadores e que as lutas somente serão vencidas com união e organização.

Dessa forma, é fundamental buscar unificar a luta geral dos trabalhadores através de uma entidade que articule as ações dando-lhes, através do conjunto, sua maior força e esperando que com o amadurecimento do processo, com base na democracia, da autonomia e independência acabe por se constituir em um importante marco de resistência. Não podemos perder de vista que as políticas neoliberais não só tem agudizado a polarização social, como também provocaram mudanças na estrutura econômica e no Estado. A contradição entre o capital e o conjunto da sociedade está aumentando e, além disso, o caráter massivo dos meios universitários, agrega um contingente de jovens sem perspectiva de ascensão social que ampliam o leque de construção de um movimento que busque o surgimento de uma nova sociedade.

Para os que acreditam é preciso dizer SIM a filiação ao CONLUTAS.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 29/01/2007)

* UFSM



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