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O pacote pós-eleição

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

O chamado Programa de Aceleração da Economia (PAC) anunciado na última segunda-feira pelo governo federal, já está sendo visto pelos ufanistas como o grande acontecimento da gestão petista no comando do país. Trata-se de um pacote econômico, que busca (senão o anteriormente denominado “espetáculo de crescimento”) ao menos um crescimento de 4,5% no presente ano e de 5% nos próximos três anos.

Com afirmações do tipo, “crescer sem sacrificar a democracia”, possivelmente uma infeliz referência ao governo da Venezuela e que parece ser talhada para agradar ao governo dos EUA bem como aos novos amigos do presidente Lula, que com ele participam do Fórum Econômico Mundial em Davos.

É indiscutível que o país precisa retomar o crescimento econômico, senão recuperando a sua margem histórica de mais de 7% dos anos 30 aos anos 80 (já tratado em artigo anterior) ao menos acima dos 2,6% alcançados no primeiro governo Lula. Assim sendo, todos estamos torcendo para que o PAC dê certo, o que tem de ser questionado é quem já sai ganhando e quem perde com o Programa. Inicialmente, os funcionários públicos são novamente condenados a apertar o cinto por mais alguns anos, com a adoção do reajuste anual de, no máximo, 1,5% mais a inflação.

Considerando a defasagem que setores do funcionalismo público federal tem já de muitos anos, certamente a reação não tardará a aparecer pelo movimento sindical ainda não cooptado pelo governo. Quem ganha com o PAC, independente de seu sucesso? Sabendo-se que as medidas do Programa são no sentido de fazer investimentos em infra-estrutura, com isenção de impostos e contribuições no setor, salta aos olhos que as grandes empreiteiras devem estar fazendo festa, além dos banqueiros, sendo que o próprio presidente mundial do Banco Santander já encheu de elogios o PAC.

Curiosamente, dos 90 milhões de reais que foram divulgados como gastos de campanha, 10 milhões vieram dos bancos, as empreiteiras também tiveram destaque, sendo que somente uma destas, a Camargo Correia contribuiu com mais de três milhões de reais. Assim sendo, esperamos todos que o PAC não signifique, na prática, um mero acerto de contas do governo eleito com seus financiadores de campanha.

(Artigo publicado no jornal Diário de Santa Maria de 29/01/2007)

* UFSM



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