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Congresso do ANDES e unidade docente

Por:  Diorge Alceno Konrad*

A concepção que originou o PT e a CUT, alicerçada na Convenção 87 da OIT, defendia o pluralismo sindical aliado à liberdade das organizações dos trabalhadores. No início da década de 1980, ainda sob a ditadura civil-militar, o eixo central desta política condenava a estruturara sindical varguista, organizada em torno da CLT.

Eram criticadas a unicidade sindical e a falta de liberdade das organizações sindicais que o Golpe de 1964 aprofundara.

Aliados à defesa legítima da liberdade sindical, o PT e a CUT embarcaram na defesa liberal do pluralismo, crendo que no capitalismo os trabalhadores se organizariam de forma hegemônica, exclusivista e independente em sindicatos livres de pelegos ou patrões, no lugar de lutar pela direção dos mesmos.

O PT se organizou a partir de diferentes correntes internas, sua marca até a atualidade. Durante a ofensiva neoliberal expulsou suas correntes mais à esquerda, de onde surgiram o PSTU e o PCO, e recentemente o PSOL. Com o governo Lula e a continuidade da política econômica do governo FHC, foi a CUT que aumentou a sua divisão.

A delegação da SEDUFSM, atenta a estes debates, vai para o 26º Congresso do ANDES-SN, em Campina Grande – PB, de 27 de fevereiro a 4 de março, defendendo a não-filiação à CONLUTAS, nova corrente sindical nascida do ventre da CUT e do PT, mas em oposição crescente aos dois e ao governo Lula. Sem se submeter a este, que também infere sobre o movimento sindical docente, em boicote ao ANDES-SN, nossa entidade nacional, os professores não podem ser o marisco entre o mar governamental e as pedras desta ou daquela corrente sindical.

É melhor o bom corporativismo em defesa da universidade pública, gratuita, estatal, de qualidade e socialmente referenciada, além dos direitos da categoria docente, do que semearmos ilusões em frente a um governo de plantão ou a concepções sindicais que vêem entidades, em nome da “política mais avançada” ou “revolucionária”, para fins restritos e não de classe. Aí sim estaremos construindo a unidade docente de que tanto necessitamos nesta conjuntura de crise do movimento sindical e partidário. Não é com o pluralismo sindical, tão defendido historicamente pelas correntes citadas aqui, algumas delas esperando a implantação da reforma sindical para concretizar legalmente o divisionismo que já exercitam há anos, na prática.

A Direção do ANDES-SN e os delegados do 26º Congresso deveriam ouvir suas bases como a SEDUFSM fez, sem vanguardismo e esquerdismo.

(Publicado em A Razão, 19.02.2007)

* SEDUFSM



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