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A CUT e as decisões de Curitiba

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

Antes mesmo de ocorrer o Congresso do ANDES (edição 24) de Curitiba-PR, já se sabia que decisões históricas lá estariam sendo tomadas. A principal delas, com alto grau de polêmica, indicava um balizador diferenciado para o Movimento Docente- a possibilidade de rompimento com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Pois esta possibilidade acabou concretizada. De um total de 365 delegados, quase 200 votaram, a partir de decisão de suas bases (professores em assembléias nas mais diferentes universidade do país) pela desfiliação da CUT.

Assim, uma relação que existia desde 1989, e que havia sido polêmica desde início, mas no sentido inverso, ou seja, havia resistência das bases dos professores em vincular-se a uma central de operários, metalúrgicos, bancários, foi desfeita. Na realidade, esta não é a única decisão importante tomada em Curitiba, durante os seis dias em que lá estivemos, mas certamente é a de maior impacto. Não foi uma posição irrefletida ou mesmo de cúpula. Houve no interior das universidades nos últimos tempos uma revolta muito forte com as posturas assumidas pela Central Única dos Trabalhadores. Entende-se a simpatia antiga de suas lideranças com o PT e Lula, porém, o que não se aceita é o atrelamento cotidiano ao governo, abandonando quem realmente deveria ser o objetivo prioritário desses sindicalistas: os trabalhadores.

A cúpula da central sempre optou por escamotear esta sua vinculação ao governo. O pior exemplo foi o da Reforma Previdência, quando não apenas a direção da CUT pouco ajudou o funcionalismo, e se postou a favor da dita reforma, contrariando uma postura totalmente inversa e contraditória do PT e da própria CUT durante o governo FHC.

Mas, se não bastasse isso, em 2004 a CUT e algumas outras entidades sindicais apoiaram uma Reforma Sindical numa estrutura composta de empresários e governo chamada de Fórum Nacional do Trabalho. Esta reforma pretende dar poder à cúpula sindical (em sua maior parte atrelada ao governo) em detrimento dos sindicatos. Portanto, o desligamento de várias entidades de trabalhadores da CUT não representa como pensam alguns, apenas uma postura de “radicalismo” e, sim, uma resposta a quem pensou que os trabalhadores deveriam, de forma irreflexiva e acrítica, simplesmente aderir às teses do governo, como ovelhas de um grande rebanho. Que a CUT repense seus métodos é o melhor conselho que se pode dar.

* SEDUFSM



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