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Mulheres e Janelas

Por:  Valeska Fortes de Oliveira*

Ao escrever sobre o Dia Internacional da Mulher, 08 de março, pensei em inúmeras possibilidades e todos os tipos de mulheres que somos e nos constituímos - acreditando tal qual Simone de Beauvoir que não nascemos mulheres, mas nos tornamos mulheres.

Dois tipos de mulheres povoam o meu imaginário, neste momento em que participo do debate sobre o filme “Domésticas”, promovido pela SEDUFSM: as mulheres protagonistas deste filme e as que têm sido estudadas por nós no espaço da pesquisa em educação - as que ocuparam papéis sociais no espaço público da vida política num determinado tempo histórico, predominantemente masculino.

Vislumbro-as em dois mundos, dois espaços distintos: o privado e o público, o que não aparece e o que se mostra; o trabalho invisível e o trabalho exposto. Estas mulheres abrem janelas; umas para olhar o movimento da rua, para o sol entrar, limpar os vidros; as outras, pelo direito de fala, pelo espaço de serem ouvidas e capazes de organizar projetos coletivos. Umas, no fazer cotidiano da casa, produzindo uma rotina cansativa, muitas vezes invisível aos olhos daqueles que se ocupam com as coisas do mundo lá fora; as outras, ouvindo brincadeiras em formas de piadas de mau gosto ou até mesmo sendo expostas a comparações quanto a padrões de beleza num ambiente de ternos e gravatas.

Todas elas abrem janelas: janelas de madeira, de inox, mas também janelas que, no imaginário social, representam maior valorização da participação da mulher na vida social e privada. Abrindo-as, sinalizam o direito à diferença e a cidadania de alguém que foi vista, historicamente, como um sujeito que se realizaria na capacidade de procriar e educar filhos. Temos conquistado muitos espaços, não somente físicos, mas, especialmente, os simbólicos, no imaginário da nossa sociedade.

Registro aqui algumas que, no espaço público da cidade de Santa Maria, abriram janelas para nós mulheres do século XXI, ocupando, não só qualitativamente, um lugar social na política, mas também marcando presença em outros espaços que ocupavam e pelos quais se movimentavam na nossa cidade - “lugares de homens e entre homens”. Nas mulheres de Helena Ferrari – professora e vereadora - e Izaura Álvares de Oliveira – minha avó paterna, colorada e integrante da ala feminina do PTB de Getúlio Vargas – homenageio a todas, neste dia.

Reconheço – bem como parabenizo – aquelas que em outro espaço, o da vida doméstica, cuidaram e cuidam da nossa casa, partilhando a tarefa de educar os nossos filhos: Márcia, Andréia, Marizete, Celina, Roseli, Regina... Sem tais parcerias, teríamos muito mais que duplas ou triplas jornadas. Homenagem também àquelas que celebram a vida e vencem as doenças e àquelas que lutam e perseguem seus desejos.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 12/03/07)

* UFSM



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