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Até breve, professor Joél !

Por:  Fritz Nunes*

Para morrer bem é preciso viver bem, ensinava Confúcio. E, se depender disso, podemos ficar tranqüilos. O professor Joél Abílio Pinto dos Santos é daquelas figuras inesquecíveis, que sempre defendeu suas idéias com sinceridade e paixão. Militante combativo desde a fundação do sindicato dos docentes da UFSM (SEDUFSM), em 1989, passando pelas principais greves implementadas pelo Movimento Docente também se dedicava nos últimos anos a participar de programas de rádio como entrevistador, debatedor e comentarista, em especial, na Rádio Universidade.

Não há quem não tenha uma opinião sobre Joél. Polêmico e terno ao mesmo tempo, lembra o professor Diorge Konrad, atual presidente da SEDUFSM e que era colega do departamento de História. Uma figura transparente, com sua posição definida e que sempre foi presença constante, destaca o reitor, professor Clovis Lima. “Um profissional dedicado, importante no campo da história e batalhador nas causas da democracia brasileira. Uma grande perda para as questões defendidas pelo movimento docente e também pela universidade”, comenta a professora Berenice Corsetti, que além de ter sido colega no departamento de História, dirigiu muitas assembléias dos professores em que a participação de Joél era vívida.

Érico Henn, professor aposentado do Centro de Tecnologia da UFSM, em correspondência eletrônica à SEDUFSM enfatizou que a partir da morte do professor Joél “perde a UFSM, perde a SEDUFSM, perde Santa Maria, mas, sobretudo, perdemos nós o grande companheiro”. A personalidade de Joél é bem captada pela percepção do professor Thomé Lovato: “Joél era um batalhador nato, com uma clareza admirável e insistência no foco do debate, com uma grande capacidade de provocar reflexão.” Sobre a perda, analisa que “vai ser difícil conviver nos ambientes que ele compartilhava conosco tendo a certeza da sua ausência na dimensão em que estamos acostumados”.

Na ótica do professor Carlos Pires, ex-presidente da SEDUFSM, Joél Abílio “era um defensor incansável da universidade pública e do ensino de qualidade. Espírito beligerante quando se tratava da defesa da universidade e dos direitos da categoria, Joél era uma pessoa amiga, radicalmente companheira em todos os momentos, especialmente nos momentos mais difíceis”.

Uma das marcas do professor Joél, brizolista empolgado e que deixa de compartilhar de nossa companhia aos 64 anos, era a sua convicção em torno de ideais. Ardoroso defensor de suas convicções fossem elas quais fossem, marcou época nas assembléias da UFSM. Um discurso do professor Joél era capaz de mudar muitos votos durante uma plenária. Certamente, os eventos dos professores ficarão menos alegres sem a agudeza, a passionalidade e, muitas vezes, as tiradas bem-humoradas de Joél Abílio Pinto dos Santos.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 02/04/07)

* SEDUFSM



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