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Recall neles

Por:  Nilton Bertoldo*

No século V, em determinada ocasião, houve o que se poderia nomear de “valorização da palavra falada”, ou oratória, coincidindo com o desabrocho de peroradores e um ror de sofistas na época.

A medicina sofreu a imisção desse tipo sui generis de embusteiros sagazes, que encontram símiles nas civilizações hodiernas: muitos políticos levianos, mas facundos, de métodos espampanantes e cabotinos, que não servem nem para cabungos e que merecem a repulsa e o banimento da sociedade.

A melhor forma de se fazer isto, é introduzir, nessa dita reforma política da republiqueta, o direito de revogação, na modalidade chamado recall, que nada mais é do que uma anulação individual, pois capacita o eleitorado a destituir políticos, cujo comportamento, por qualquer motivo não lhe esteja agradando.

Um certo número de cidadãos, em geral a décima parte do corpo de eleitores, formula, em petição assinada, acusações contra o vereador, deputado ou senador que decaiu da confiança popular, pedindo sua substituição no lugar que ocupa, ou intimando-o a que se demita do exercício de seu mandato.

Decorrido certo prazo, sem que haja a demissão requerida, faz-se votação, à qual, aliás, pode concorrer, ao lado de novos candidatos, a mesma pessoa do procedimento popular. Aprovada a petição, o político tem o seu mandato revogado. Rejeitada, considera-se eleito para novo período.

Esta seria a forma mais democrática de se fazer uma faxina generalizada e uma moralização no Poder Legislativo e com isto certamente já estariam fora os mensaleiros, sanguessugas e albergueiros.

Para o leitor se situar, dentre todos os políticos envolvidos nessas maracutaias, nenhum até hoje foi punido. Na Câmara dos Deputados, 75 deles ainda estão sob suspeita de envolvimento em alguma falcatrua e, apesar disso, continuam exercendo seus mandatos.

Sinceramente, não gostaria de estar na pele desses biltres, apaniguados e sicofantas, no caso de uma convulsão social. Acredito que faltarão postes para pendurá-los!

Outras medidas importantes e de urgência seriam a diminuição do número de parlamentares nas Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e Câmara dos Deputados. O Senado Federal pode ser extinto. A metade do que já existe é mais do que suficiente.

Nos Estados Unidos da América, para uma população aproximada de 300 milhões de habitantes existem 300 Deputados Federais. Neste país do futebol e da corrupção, para uma população de 180 milhões, são 513!

E tem mais: precisamos acabar com o foro especial deles. Essa raça de políticos malfeitores, lestos, quadrilheiros, trêfegos, que acachapam o povo brasileiro, tem que ser julgada por juízes de primeira instância e fim de conversa.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 09/04/2007)

* UFSM



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