Artigos

Viva a corrupção!

Por:  Nilton Bertoldo*

Em 1997, cinco rapazes de classe média alta de Brasília atearam fogo no índio pataxó Galdino dos Santos e o mataram. Antonio Vilanova, filho de um juiz federal, era um deles. Quatro desses criminosos foram a júri e receberam a condenação mínima: 14 anos de reclusão, quando a pena normal deveria ser de 30 anos. Em 2004, eles ganharam a liberdade condicional e foram soltos. Nos Estados Unidos da América (EUA), esses canalhas pegariam prisão perpétua ou pena de morte.

Em fevereiro de 2005, na cidade cearense de Sobral, o supermercado Lagoa estava fechado – era domingo – e por isso o juiz Pedro de Araújo foi impedido de entrar pelo vigia José Rodrigues. O juiz exigiu a presença do gerente, que cedeu à sua vontade e o deixou ingressar no estabelecimento. Ao pisar no supermercado, o juiz Percy sacou sua arma e acertou o vigia com um tiro fatal – o crime foi filmado pelas câmeras de segurança. Condenado a 15 anos de prisão, ele pode ganhar a progressão para o regime semi-aberto de cumprimento de pena dentro de dois anos e meio: um absurdo! Pois esse juiz assassino conseguiu aposentadoria vitalícia de R$ 16 mil mensais. O professor de direito constitucional da Universidade Federal do Ceará, Martonio Mont’ Alverne diz que “não é justo nem moral que o Estado mantenha o salário de alguém que fez o que ele fez”. Nos EUA, na Finlândia, na Inglaterra e no Japão, o servidor público que cometa um crime dessa natureza, perde o benefício e a aposentadoria.

Citei apenas dois exemplos de impunidade escancarada, entre os muitíssimos existentes, relacionada principalmente aos detentores de pretenso poder. Agora, deparamo-nos com outro escândalo monstruoso envolvendo supostos altos integrantes do Poder Judiciário do Rio de Janeiro (RJ).

Sexta-feira, 13 de abril. A Polícia Federal (PF) prende 25 suspeitos de participar de um esquema de exploração de jogos ilegais – principalmente bingos e caça-níqueis – que envolve autoridades da Justiça, da própria PF e do Carnaval do Rio.

Foram presos – anotem o nome deles e não os esqueçam: os desembargadores José Alvim e José Ricardo Regueira; o juiz Ernesto Dória, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e o procurador regional da República no RJ, João Pereira. A operação prendeu ainda o delegado da PF em Niterói (RJ), Carlos Pereira, o delegado aposentado Luiz Paulo Dias de Mattos e a delegada Susie Pinheiro, que atuava temporariamente como corregedora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

A Polícia Federal merece encômios pelo serviço prestado à Nação. Não se pode ter cordura com delinqüentes maganões. Acostumados a encher os bolsos à tripa forra, ainda saem por aí a contar rodelas em detraimento do povo. Prisão perpétua ou... para eles é pouco!

(Artigo publicado no jornal A Razão de 23/04/07)

* UFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet