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Parecer honesto

Por:  Júlio Cezar Colvero*

As constantes reportagens dos meios de comunicação – e por eles li e ouvi dizer – mostrando suspeitas a integrantes dos altos escalões da República, mormente da Justiça, nos levam a pensar. Que podem aurir os menos aquinhoados com estas suspeitas? Já é assustador o “toma-lá-da-cá”. A informalidade quase quebra os órgãos previdenciários nacionais. Não há luz no fim do túnel. Já havíamos – nos albores dos nossos 29 anos – a investida sobre a Constituição vigente. Lá na Brigadeiro Luiz Antonio, em São Paulo, o sr. juiz, proclamava em alto e bom tom “Eu e Deus temos o direito de julgar”.

Tal era a sua convicção que simplesmente substituiu o Promotor oficial pelo substituto eventual, porque aquele, havia pedido e afirmado a o “impronunciamento” de todos os acusados. Constitui-se, assim, o Tribunal, visando ao julgamento de todos os citados, que já haviam cumprido 45 dias de prisão preventiva. Era a preparação jurídica para futura ação, que mudaria os preceitos constitucionais vigentes.

Iniciou-se esta ação, por especialista em inquéritos, inclusive com formação jurídica. Não se limitou o dito, em buscar culpados, ele os criou a partir de testemunhas, adrede, escolhidos, em que qualquer elogio a pessoas do convívio do depoente, a alguns de seus pares, de imediato este era inquirido. Quanto mais liderança exercesse em função de sua atividade principal e única, era transformado em indiciado. Tudo isto para formatar a legalização da tomada do Poder. Isto se passou em São Paulo, capital, onde manifestamente tudo foi engendrado.

Lembro-me que nas proximidades da Praça do Patriarca, sentados lado a lado, o sr. Moura Andrade, senador da República – com o qual convivi por alguns dias – que conheci e reconheci, acompanhado do sr. Georges Bidault, exilado francês, condenado à guilhotina, na França, por ser opositor à libertação argelina e, como presidente da Argélia Francesa, tornou-se responsável perante o governo francês.

Bidault, extraordinário conhecedor dos “movimentos de massa” foi quem apontou o Vale do Anhangabaú como local de manifestação massiva. Além disso, um clérigo fazia a sua ladainha, em Jerusalém, de onde traria relíquias cristãs, chegando a afirmar, pedacinhos da cruz, onde o Mestre Jesus foi supliciado.

Essas são lembranças que tenho da conjugação dos fatos, para assegurarem mudanças institucionais e políticas. Porém, retorno ao assunto inicial, que preocupa a todos os brasileiros. Proliferam indicações de fraudes e uso indevido do poder jurisdicional.

Defesa ampla a todos os que são atingidos por supostos atos, que se confirmados ou não, haja “justiça” para todos os envolvidos na questão. Parodiando o refrão: “não basta ser honesto, deve parecer honesto”.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 30/04/2007)

* SEDUFSM



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