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O respeito às religiões

Por:  Fritz Nunes*

Não é nada fácil fazer uma abordagem sobre a vinda do Papa Bento XVI ao Brasil neste momento, tendo em vista que existe uma quase unanimidade em torno dos benefícios da vinda do líder máximo da Igreja Católica Apostólica Romana. Entretanto, como tudo na vida, existem sempre as duas faces da moeda. Joseph Ratzinger, o Papa que hoje, segundo setores da imprensa, estaria tentando ser pop, em tempos não muito longínquos foi o mentor de atitudes questionáveis como a imposição do “silêncio obsequioso” ao frei Leonardo Boff. Essa medida nada mais foi que uma censura contra um dos maiores defensores da “igreja dos oprimidos”, codinome dado aos católicos defensores da Teologia da Libertação. Esse setor sempre se posicionou à esquerda, atuando ao lado dos movimentos sociais, como é o caso dos religiosos que ainda hoje militam em causas como a dos sem-terra.

Considerando que a Igreja Católica é uma instituição hierárquica, com uma estrutura regrada, disciplinada e hierarquizada, mesmo que discordemos dos métodos, o fato é que ninguém é obrigado a ser católico. Pertencer a um credo religioso, a uma doutrina filosófica depende da vontade individual. Por isso, enquanto essas imposições se resumirem ao segmento católico, isso diz respeito apenas aos militantes dessa doutrina. Contudo, no momento em que a Santa Sé resolve sugerir que os governos não incentivem o uso de preservativos, que não discutam o aborto e, que voltem a ensinar a religião católica nas escolas públicas, isso começa a gerar problemas.

O grande avanço conquistado pela sociedade ocidental, isso já há alguns séculos, foi a separação entre Igreja e Estado. Hoje, o que temos é um estado laico, ou seja, em que não há predominância de uma determinada religião sobre as demais. Convenhamos, isso é uma conquista das sociedades democráticas. Em países do Oriente Médio, por exemplo, há uma mistura entre religião e Estado. É uma forma de pensar, é um tipo de cultura que devemos respeitar. Entretanto, em se tratando do Brasil, fez bem o presidente Lula em reafirmar o “Estado laico”. Nenhum problema no fato de o Papa querer ampliar seu rebanho, desde que não haja interferência nas questões de governo.

(Artigo publicado no jornal Diário de Santa Maria de 14 de maio de 2007)

* SEDUFSM



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