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A pedagogia da política

Por:  Luiz Carlos Nascimento da Rosa*

Estamos vivendo uma realidade extremamente rica em determinações econômicas, culturais, ideológicas e, principalmente, políticas. Portanto, para de fato compreendê-la, faz-se necessário um exercício rigoroso de reflexão. É nessa teia do tecido social (teórico e prático) que os conflitos e as contradições da condição humana se revelam.

Isto nos remete a seguinte questão: de que forma as práticas sociais e as manifestações humanas, em nossa atual conjuntura política, influenciarão o desenvolvimento da consciência individual de crianças, jovens e adultos e, do “imaginário coletivo” de uma forma geral?

Assim como eu, a geração que ingressa na militância no final da década de 70, e início dos anos 80, começa suas práticas sociais, no âmbito da política, tendo que optar entre a defesa de um estado obscurantista e autoritário, ou configurando-se como militante de esquerda. A esquerda fazia de sua ação política a busca intransigente da consolidação de um Estado de Direito e Democrático. Nós, da esquerda, buscávamos, também, a participação popular nas esferas da sociedade política e, desenvolvíamos um trabalho incansável pela superação de todas as formas de exclusão.

Como podemos nos sentir tranqüilos se somos obrigados a ouvir na esfera política, vários agentes se regozijarem dizendo que agora está empiricamente comprovado que todos estão no mesmo nível e todos os partidos políticos configuram-se como corrompidos no que diz respeito ao tratamento com as questões Éticas? Não concordo com a tese derrotista que afirma que todos os políticos são iguais e que o horizonte da política pressupõe práticas do mal e emancipadora do elemento negativo da natureza humana.

Penso que, independente de nossas opções políticas e ideológicas, devemos manter nossas ações militantes no âmbito dos partidos políticos e nos movimentos sociais nas diferentes esferas da vida pública. Da democracia representativa à democracia participativa é o engajamento militante que vai garantir a presença qualificada do Estado na produção de políticas públicas que realmente garantam o aprimoramento na qualidade de vida de cidadãos e cidadãs.

O pensador, italiano, Norberto Bobbio afirmou que “pode-se definir a Democracia das maneiras as mais diversas, mas não existe definição que possa deixar de incluir em seus conotativos a visibilidade ou transparência do poder”. Trabalhando em espaços educativos formais ou não, nossa tarefa histórica é formar crianças, jovens e adultos para o exercício pleno da cidadania.

Existe um ditado de senso comum que insiste em se fazer presente em nosso dia-a-dia que é: “religião, futebol e política não se discute”. Discutamos política na mesa do bar, no ambiente do lar, na sala de aula ou em qualquer lugar em que estejamos. Parafraseando Gramsci, pensador italiano, diria que: para se construir um novo momento Ético, faz-se necessário transformar as práticas políticas em práticas pedagógicas. O consenso passivo é nefasto ao pensamento e inibidor da ação.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 04/06/2007)

* UFSM



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