Artigos

Os professores vão entrar em greve?

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

Esta é sem dúvida a pergunta mais repetida pelos corredores de nossa Universidade, ao menos a nós, professores envolvidos com o Movimento Docente. No último dia 2 de junho, em Brasília, realizou-se uma reunião do setor das IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) ligadas ao ANDES – Sindicato Nacional. Como representante de nossa entidade, SEDUFSM, tive a oportunidade de participar das discussões sobre o tema greve com os colegas das demais 31 seções sindicais presentes na reunião. Foi unânime a decisão de que alguma coisa deva ser feita para barrar os freqüentes ataques feitos pelo governo Lula às universidades federais bem como aos demais funcionários públicos.

Muitas ações já estão sendo realizadas. Os movimentos que iniciaram com a mobilização de 25 de março e a mais recente do dia 23 de junho, que reuniu 1,5 milhão de pessoas em protesto contra as reformas do governo federal, mostram que uma nova correlação de forças está sendo construída e que novos protestos e ações de massa tendem a ocorrer nos próximos meses, inclusive com uma provável greve conjunta dos servidores públicos federais. Apesar deste novo quadro que está sendo construído, no meio dos professores das universidades federais, a mobilização ainda carece de força, sendo que até o momento foi aprovado indicativo de greve em apenas duas universidades: as federais de Tocantins e do Mato Grosso e, isto, apesar do forte movimento grevista dos servidores das universidades, que engloba 38 universidades.

Motivos para a deflagração da greve é verdade que não faltam, pois o PLP 01 congela os salários dos funcionários públicos pelos próximos 10 anos; a Reforma Universitária acena com a privatização das universidades públicas devido à desobrigação do Estado com o financiamento; o PROUNI possibilita que o governo federal forneça bolsas em universidades pagas ao invés de investir em novas vagas nas universidades públicas; o Universidade Nova oferece recursos extras às universidades que aderirem ao projeto que cria dois tipos de diploma na graduação; a educação a distância desobriga a tão necessária relação presencial entre professor e estudante, entre outros retrocessos em que se depara hoje o movimento docente. A tarefa a ser construída pelo movimento é a de mobilizar a categoria para pressionar a abertura de negociações com o governo federal, unir todos os setores em desacordo com as reformas do governo, buscando assim, isolar entidades governistas que defendem o PAC e a reforma universitária (os casos da CUT e da UNE). Vamos à luta!

(Artigo publicado em A Razão, 11 de junho de 2007)

* UFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet