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Os custos da corrupção

Por:  Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Segundo pesquisa do Banco Mundial o Brasil ocupa a 95ª posição em uma lista de países que vai do menos ao mais corrupto. Segundo a FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – o Brasil perde 1,35% de seu Produto Interno Bruto (PIB), aproximadamente R$ 20 bilhões, com corrupção e ineficiência administrativa todo ano.

Tudo isso tem um custo econômico e social. Temos crianças morrendo de diarréia, por falta de saneamento básico; temos uma legião de analfabetos por falta de recursos para a educação; temos pessoas morrendo em conseqüência da violência, porque o estado não consegue resolver os problemas de segurança; temos pessoas morrendo nas filas do atendimento público de saúde esperando, às vezes, uma ficha para agendar um simples procedimento médico; temos um sem número de desempregados, porque o país não consegue crescer, entre outros problemas.

No entanto, enquanto a independência do Ministério Público vem garantindo que mais denúncias sejam investigadas, enquanto a Polícia Federal tem lançado múltiplas operações – Tempestade no Deserto, Farol da Colina, Sanguessuga, Hurricane, Têmis – para desbaratar a corrupção e o crime organizado, enquanto a Controladoria Geral da União tem feito devassas nas contas de Prefeituras, enquanto alguns estados têm adotado sistemas eletrônicos extremamente eficientes para controle de seus gastos, enquanto ONGs têm feito o possível para decifrar e divulgar de modo livre as contas do governo, enquanto a imprensa também tem cumprido o seu papel, tem-se a impressão que, apesar de todas essas ações, tudo não passa de pirotecnia, pois, como diz André Petry em seu artigo “O prende-e-solta”, na revista VEJA de 30 de maio de 2007, p.55 “Um bando de gente vai para a cadeia, o bando inteiro é libertado e não há condenação de ninguém. O que isso significa?” , “O pior é que as operações policiais que no início foram como um sopro de alento para uma sociedade exausta de tanta impunidade, começam a disseminar uma atmosfera de folia inconseqüente,” e “Afinal, qual o efeito concreto de fazer uma saraivada de prisões e, logo uma saraivada de solturas?”.

(Artigo publicado no jornal Diário de Santa Maria de 26/06/07)

* UFSM



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