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Queremos o mesmo

Por:  Nilton Bertoldo*

“É preciso pensar na política; se não pensarmos o bastante, seremos cruelmente punidos”.

Com esta elocução performativa, Alain adverte que devemos estar permanentemente atentos, em especial, aos políticos.

O homem é um animal sociável; só pode viver e se desenvolver entre seus semelhantes. Mas também é um animal egoísta. Sua “insociável sociabilidade”, como diz Kant, faz que ele não possa prescindir dos outros nem renunciar, por eles, à satisfação dos seus próprios desejos.

É por isso que necessitamos da política, mas não da maneira como muitos políticos facetos e patuscos a exercem, patrocinando cenas burlescas dignas de óperas-bufas para os cidadãos desta republiqueta de bananas.

Quando se trata de discutir os próprios salários, senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores não agem com a mesma seriedade com que discutem a remuneração do restante da sociedade. Isso ficou evidenciado no final de 2006, quando derrubaram uma emenda da oposição na Câmara, que buscava um reajuste de 16,7% para os aposentados e pensionistas; estes levaram apenas 3%, mas muitos mirmidões queriam 92% para se equipararem ao que recebem os ministros do Supremo Tribunal Federal (R$ 24,5 mil); aprovaram o absurdo de 28,53%. Quero registrar, como fez a maioria dos órgãos de comunicação, que há exceções: um grupo liderado pelos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann (PPS-PE), criou na ocasião um comitê suprapartidário contra o aumento salarial dos parlamentares.

Aliás, a sociedade deveria reagir com veemência, saindo às ruas e pedindo o congelamento dos salários deles por 100 anos ou, melhor, ad infinitum. Justifico: esses vínculos, em percentagens, contribuem para formar verdadeiros “trenzinhos da alegria”, por causa do famoso efeito cascata.

As justificativas dadas por eles são as mais esfarrapadas, cômicas, risíveis e ridículas: “não se trata de aumento, é apenas a reposição da inflação no período; é a recomposição do poder de compra da moeda; é uma simples atualização salarial”. Ha! ha! ha! Contem outras, senhores parlamentares!

Apesar desta democracia capenga, lembro a esses mecos que todos são iguais perante a lei. Isto posto, eu proponho, para nós, professores universitários:

- que seja criada imediatamente a lei orgânica do magistério superior;

- que sejam estabelecidos, a curto prazo, os subsídios dos lentes do 3º grau;

- que nossos salários, remuneração, vencimentos, retribuição, seja lá o que for, se vinculem aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal;

- que o magistério superior seja logo transformado em carreira típica de estado;

- que tenhamos também foro privilegiado de julgamento.

(Artigo publicado no jornal A razão de 09/07/07)

* UFSM



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