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Os 140 anos de “O Capital”

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

No dia 14 de setembro de 1867 era publicado o primeiro volume de “O Capital” de Karl Marx, obra grandiosa em seu tamanho e conteúdo, que teve em sua primeira prensagem apenas de 1.000 exemplares. Seria seguido de mais dois volumes publicados postumamente sob o comando de Friedrich Engels, encarregado de reunir, organizar e dar um acabamento final aos textos inacabados de Marx devido a sua morte em 1883.

No Brasil, a primeira tradução somente sairia em 1967, 100 anos depois de publicado na Europa, o que fez com que muitos pesquisadores e militantes brasileiros tivessem que estudar a obra ou em edições importadas ou em textos resumidos. O objeto de estudo de “O Capital” é descobrir o funcionamento do processo de criação de riqueza capitalista, mostrar a origem do enriquecimento privado capitalista, e para isso, Marx aponta a necessidade de não prendermos nossa análise na esfera da circulação, onde impera uma aparente igualdade, mas sim, voltarmos os olhos à produção, ao chão de fábrica, onde as contradições do capitalismo se manifestam em toda sua agudeza, e onde o pensamento conservador não ousa se aventurar (veja-se o pensamento neoclássico dos dias de hoje que atribui totalmente ao mercado a resolução dos conflitos).

Com o desenvolvimento da teoria do valor-trabalho, a obra mostra que o valor das mercadorias é determinado pelo trabalho realizado em produzi-las, daí ser central o papel do trabalho na obra econômica de Marx, mas, indo além dos economistas da escola clássica revela em sua teoria da mais-valia, que o lucro do capitalista é nada mais que uma parcela da jornada de trabalho não paga ao trabalhador. Assim, nada mais justo que aqueles que produzem a riqueza reivindiquem o que deveria ser seu, ou seja, a propriedade dos meios de produção, e em conseqüência, a superação positiva do capitalismo pelo socialismo.

Afirma José Paulo Netto, para aqueles que ambicionam compreender o funcionamento do capitalismo atual não basta a leitura de “O Capital”, mas é impossível compreendê-lo sem a leitura do livro de Marx. “Enquanto no mundo houver capitalistas e operários, não haverá livro nenhum mais importante para os operários do que este”. (Friedrich Engels).

(Publicado no Diário de Santa Maria, 19.07.2007)

* UFSM



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