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Florescerão os Ipês?

Por:  Júlio Cezar Colvero*

Os dias de outono e inverno em nossa região apresentam características impressionantes. As árvores de folhas caducas ou não, são simplesmente mutiladas por cortes imprevisíveis e destruidores de sua capacidade de recuperação. Vejo imponentes figuras de nossa flora atacadas sem perdão. O esqueleto de algumas árvores, já secas, demonstram o fitocídio implantados, com marcas indeléveis do ataque efetuado. Um esqueleto a nós impressiona, pois as marcas da retirada da casca, em seu derredor foi certamente o decreto da sua morte.

Devem-se lembrar os que assim fazem, que a vida da planta se exclui lentamente, com sofrimentos atrozes e horrendos, humanos muitas vezes não o percebem. A planta, nessa situação emite sons de pedidos de socorro. Tal é a sua sensibilidade que aumentando seu grito, a vida se esvai. Não entendemos como podem seres humanos, ditos cultos e ou educados, perpetrarem a derrocada vegetal. Assim, foram dois ipês plantados em parte fronteira de um prédio, na rua Elpídio Menezes, 225. Cortados ao nível do chão, pois certamente agredia, pela sua impetuosidade, crescendo e subindo, procurando seu lugar ao sol.

Ao vê-los, cortados aguardei em tempo e consegui transplantar com raízes, e eles começam a viagem novamente às margens do Arroio Lobato. Além das mutilações generalizadas percebe-se a faina destruidora. Tiram-se os galhos, algum tempo depois, apara-se parte do tronco e finalmente arrancam-se o que sobrou. Gosto de pinheiros, a nossa “araucária angustifolia” e muito distribuí e plantei, na esperança de vê-los perpetuarem-se. A imagem de um solitário pinheiro nos altos da coxilha, visão extraordinária de pujança, desaparecendo de nossa retina, após 40 anos de vivência.

Isto nos fez, ter uma inclinação do desejo de vê-lo ressurgir, por isto os planto. Um vizinho do nosso sítio ao ver inúmeros pinheiros plantados nos disse: “Mas professor, o senhor não vai comer os pinhões?” Tudo isto num linguajar colonês , ao que respondi: quem sabe nossos netos, bisnetos e outros o façam. Passo a lembrar, os cinamomos da rua 13 de maio, que conheço há mais de sessenta e cinco anos, quando a quantidade deles era maior, resistirem às podas intermináveis. Alguns até hoje resistem aos ataques freqüentes. Nossa cidade, pelo menos em lei, tem no ipê roxo a identificação da árvore e flor, como sua mascote, seu símbolo oficial.

Por que escrever sobre árvores, já que tantos são os problemas que afligem nosso povo, quando nossos representantes esquecem seu dever e maculam os costumes, as leis e esquecem até de suas obrigações ordinárias. É que ao falar, das árvores devo meu grito de liberdade, que através de suas flores e folhas espalham-se pelo universo. Falei em ipês, também no seu encanto de viver, assim como imagens permanentes de nossa retina.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 27 de agosto de 2007)

* SEDUFSM



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