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Pela reestatização da Vale do Rio Doce

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

Um imenso patrimônio foi construído pelo conjunto dos trabalhadores brasileiros a partir de meados do século passado. Era a época do predomínio dos ideais keynesianos, em que, nos países capitalistas o setor público deveria servir para alavancar o setor privado. Desta maneira, podemos afirmar que historicamente, o Estado subsidiou, financiou e se endividou em benefício do capital privado. Quando não havia mais condições de continuar a sangria de recursos públicos pela própria falência do Estado endividado, é que na virada dos anos 80/90, os governos neoliberais entregam ao setor privado a única riqueza que restara: o próprio patrimônio do país.

Foi assim que se deu a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, empresa criada em 1942, e que tornou-se uma das maiores empresas mineradoras do mundo. Mesmo privatizada, ela continua responsável por uma boa parcela de nossas exportações, em especial de minério de ferro. Calcula-se que quando de sua privatização, no governo FHC, o patrimônio da empresa valia R$ 92,64 bilhões de reais, sendo vendida por somente R$3,3 bilhões de reais (somente em 2005, obteve lucro de R$ 12,5 bilhões de reais). Mesmo sendo um escândalo, a principal questão envolvida extrapola o preço de sua venda, pois um pouco de nossa soberania também foi vendida junto com a Vale na medida em que entregamos para o capital estrangeiro a extração de riquezas de nosso solo que incluem além do minério de ferro, nióbio, urânio, ouro e manganês, além de toda a estrutura portuária e ferroviária que faziam parte do patrimônio da empresa.

Quando o governo FHC optou pela venda da Vale, o mínimo que deveria ter sido feito era uma consulta popular na forma de um plebiscito para discutir se o povo concordava com sua venda. Nenhum brasileiro foi consultado e atualmente, o governo Lula também não está disposto a mexer um dedo pela reestatização, tendo declarado recentemente que poderia haver impactos negativos na economia e saída de investimentos privados. Atualmente, existem inclusive medidas legais sendo tomadas visando a anulação do leilão que pôs à venda a Vale do Rio Doce. Cabe aos movimentos sociais, partidos comprometidos com o país e não com o capital, sindicatos, centrais sindicais, quando se completam 10 anos de sua venda, fazer pressão para tentar a anulação da venda da Vale, e é o que foi feito com o plebiscito de 1 a 9 de setembro em todo o país para que o povo decida se a nossa Companhia Vale do Rio Doce deve continuar nas mão do capital privado.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 10 de setembro de 2007)

* UFSM



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