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As ‘duas caras’ do Brasil

Por:  Fritz Nunes*

Às vezes nos deparamos em frente ao aparelho de tevê, contemplando certo tipo de programa, em especial, novelas, e nos perguntamos: o que passa na telinha reflete a realidade ou seria o inverso, é a realidade cotidiana que é influenciada pela ficção proveniente da mídia. Certamente é uma discussão que gera muito pano para manga. Contudo, o fato é que os meios de comunicação têm uma grande influência nas sociedades contemporâneas, e, especialmente, num país como o Brasil, em que muitas crianças, jovens e famílias inteiras são “educadas” através de receptores de televisão.

Bem, vamos direto ao assunto. A mídia em geral, e a eletrônica em especial, tem sido muito questionada na atualidade devido ao seu papel de manipulador de informações, servindo aos interesses econômicos e políticos de pequenos grupos. Esse foi um dos motivos que levou dezenas de pessoas em várias capitais do país, a maioria envolvidas com movimentos sociais, na sexta, 5 de outubro, a realizarem atos públicos em defesa da democratização da comunicação. Apesar de sabermos que emissoras de rádio e tevê são concessões do Estado, o que se constata, de um lado, é a estruturação de grupos de comunicação regionais com o aval de lideranças políticas. É de se perguntar, que independência e isenção possuem determinados meios de comunicação quando se sabe que são comandados por políticos?

Mas, não é apenas “toma-lá-da-cá” no Congresso Nacional que está sendo questionado em atos como o de sexta-feira. Se as pessoas atentarem para a propriedade dos principais veículos de comunicação do país irão verificar que um pequeno número de famílias domina o setor. E a pluralidade, a diversidade de opinião, como ficam? Interessante observar que nesses grupos de comunicação o discurso mais reproduzido é o da livre concorrência, porém, isso é o que menos ocorre. Há uma concentração cada vez maior de poder em poucos grupos.

Santa Catarina é um bom exemplo. A partir da compra do jornal “A Notícia”, de Joinvile, pela RBS, o mercado de comunicação passou a ter praticamente um só ‘dono’. Algumas pessoas podem até pensar: fazer o que, isso se chama competência. Será? E, para a sociedade, será bom tanta concentração de poder na mão de poucos? Mesmo que vivamos a era da internet, da chamada blogosfera (blogs), que espalham notícias mundo afora, driblando a censura, como ocorreu recentemente na repressão pela ditadura militar de Mianmar, a imprensa oligopolista do país insiste em querer omitir a realidade. As manifestações da última sexta mereceram uma “nota pelada” (apenas leitura, sem imagens) de cerca de 10 segundos, no Jornal da Globo. E o conteúdo da notícia tinha um tom de desqualificação, pois se preocupava essencialmente com a quantidade de pessoas presentes aos atos públicos. Democratização dos meios de comunicação: está aí um tema que não deveríamos tirar de pauta jamais.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 8 de outubro de 2007)

* SEDUFSM



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