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Os 90 anos da Revolução Russa

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

No dia 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo nosso calendário) ocorria a revolução russa. Seu significado histórico e político foi de extrema relevância não só para a construção do socialismo no mundo, mas mesmo para operar mudanças significativas no capitalismo, como redução da jornada de trabalho, instituição de previdência social, diminuição do racismo nos EUA, etc. Os objetivos dos revolucionários eram simples, jornada de trabalho de 8 horas, salário igual entre homens e mulheres, distribuição de terras aos camponeses, e saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial. A reação dos países capitalistas à revolução foi brutal, instituiu-se uma guerra civil e um bloqueio econômico ao país de 1918 a 1921, que levou ao isolamento da Rússia e a necessidade de canalizar recursos para a defesa da soberania do país, adiando a resolução de graves problemas sociais que o país vivia, herança da tirania czarista.

Anos depois da guerra civil, a então União Soviética depara-se com outro desafio: a invasão de seu território pela Alemanha nazista. O que é pouco comentado na história é que o país que mais sofreu perdas com a Segunda Guerra Mundial foi a URSS. Além de aproximadamente 29 milhões de mortos, teve 1.710 cidades arruinadas, 70 mil aldeias incendiadas, e a destruição de 32 mil indústrias. Poucos países no mundo agüentariam o que a URSS passou, mesmo assim, sem nenhum Plano Marshall de reconstrução (que só beneficiou os países capitalistas) já em 1950 a produção industrial encontrava-se em 70% do nível antes da guerra; no final dos anos 50% a população alfabetizada era de 98,5%; o crescimento econômico entre aos anos 60 e 70 foi superior a 8%, além de que sua população passa a adquirir uma qualidade de vida inimaginável aos nossos olhos, sendo que a sociedade soviética não conhecia inflação, miséria, desemprego ou criminalidade.

Somente 40 anos depois da revolução, a URSS sairia da condição de um país semi-feudal para ocupar o posto de segunda potência mundial, lançando no espaço e primeiro satélite artificial, o Sputnik, além do primeiro homem no espaço, Yuri Gagarin. É também importante destacar a importância da URSS na luta pela autodeterminação dos povos, colaborando para libertar as colônias africanas, e mantendo um equilíbrio militar e político no mundo. O fim da URSS, fruto de uma política de anti-comunismo disseminada pelos países capitalistas, representou uma derrota para o socialismo, mas não o seu fim. Cabe a nós, construirmos o nosso modelo próprio de socialismo, mas com os olhos sempre voltados aos acertos e erros de experiências passadas.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 29 de outubro de 2007)

* UFSM



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