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40 anos sem Che Guevara

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

No já distante 9 de outubro de 1967, Ernesto Guevara Serna, o Che, aos 39 anos era brutalmente assassinado com 8 tiros, na Bolívia, por militares treinados pela CIA. Seu corpo foi apresentado à população como um troféu, suas mãos seriam decapitadas e só teria um enterro digno 30 anos depois de morto. A famosa foto de ‘Che’ tirada por Alberto Korda em março de 1960, quando do funeral das vítimas de um atentado patrocinado pela CIA (um dos muitos que ainda viriam) foi considerada pelo Instituto Maryland de Arte, a mais famosa foto e símbolo do século XX, certamente junto com a foto do soldado soviético fincando a bandeira da URSS no Reichstag alemão, quando da libertação de Berlim pelo exército vermelho.

Che Guevara é, juntamente com José Martí o personagem mais cultuado em Cuba, aliás, ao contrário do que muitos possam pensar, quase não existem imagens de Fidel Castro espalhados pela ilha. O que mais se vê é a imagem do jovem guerrilheiro com uma estrela na boina, olhando fixo para o horizonte. Che foi apresentado a Fidel Castro por seu irmão, Raúl Castro, no México, em 1955. Logo envolveu-se com a revolução cubana para a derrubada do ditador aliado dos EUA, Fulgêncio Batista, que ocorreria em 1959. Com a vitória dos revolucionários, chegou a ser Ministro da Economia em Cuba, no entanto, achava que o seu papel de revolucionário deveria ir além de Cuba e, disposto a exportar a revolução socialista para o restante da América Latina, participa de duas tentativas fracassadas de ações revolucionárias, a primeira em seu país de origem, a Argentina, em 1964 e, no ano seguinte, no antigo Congo Belga. Partiria para a Bolívia em 1966, onde tentaria construir a revolução socialista naquele país.

Foi preso no dia 8 de outubro para ser assassinado no dia seguinte. Por ironia do destino, recentemente saiu a notícia de que o executor de Che, Mário Terán, sofrendo de catarata, e vivendo em uma situação de pobreza extrema na Bolívia, foi beneficiado pela “Operação Milagro”. Este projeto do governo cubano, que atende gratuitamente latino-americanoss pobres com problemas oftalmológicos restituiu a visão a Mário Terán, possibilitando a ele olhar fixo para o horizonte, aquele mesmo da foto de Korda.

(Artigo publicado no Jornal Diário de Santa Maria de 31 de outubro de 2007)

* UFSM



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