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Virtude e vício

Por:  Nilton Bertoldo*

Aristóteles relacionava a coragem como uma virtude. A habilidade de uma pessoa de agir corajosamente é determinada pelo grau que possui de controle do medo. A coragem envolve ter a quantidade certa de medo em uma situação. Se eu experiencio medo excessivo, sou um covarde. A covardia é um vício. Se eu experiencio muito pouco medo em uma situação, sou tolo ou inconseqüente. Ser inconseqüente é um vício. Ter a virtude da coragem envolve ter exatamente a quantidade certa de medo, apropriada às circunstâncias. Uma virtude é, por conseguinte, uma média entre dois extremos, o ponto central entre dois vícios, ao que Aristóteles se refere como meio dourado. Muitos políticos brasileiros são covardes, pois se escondem atrás do voto secreto. Falta-lhes coragem.

Entende-se por “idiota”, um ser humano cuja idade mental é inferior a dois anos, o quociente intelectual inferior a vinte. O idiota completo apresenta apenas instintos de conservação. Sua linguagem é formada de sons inarticulados, de gritos, de ecolalia; seu comportamento é constituído de atos puramente reflexos; sua inatividade global é entrecortada de impulsos violentos ou de crises de ira; sua afetividade permanece em um nível puramente auto-erótico. O idiota incompleto, em compensação, adquire uma afetividade menos rudimentar; nele existe um esboço de tendências afetivas em relação àqueles que o cercam. É possível adestrar suas funções vegetativas e motoras; a linguagem, em geral monossilábica, é, no entanto, expressiva. Porém, de qualquer maneira, o idiota sempre será incapaz de cuidar de si mesmo e impõe uma vigilância e uma assistência permanentes. É do que necessitam vários políticos brasileiros.

Sabe-se que todo homem é, como qualquer outro, capaz de verdade, que há sob esse ponto de vista uma igualdade essencial entre todos os homens, igualdade já implicitamente reconhecida no Mênon de Platão, explicitamente da época da decadência grega pelos estóicos, epicuristas, cínicos, céticos e, sob o Império Romano, pelos grandes jurisconsultos dessa época. Dizia Ulpiano: Quod ad jus naturale attinet, omnes homines aequales sunt (“Do ponto de vista do direito natural, todos os homens são iguais”). Acabemos já com esse tal de foro privilegiado!

Montaigne, que reprovava a mentira, lembrava que um homem livre não mente; aprovava Apolônio por este dizer “que era próprio dos servos mentir e dos homens livres dizer a verdade”. Nietzsche, por sua vez, escreveu: “a aristocracia afasta os seres em que se manifesta o contrário de seus sentimentos altaneiros e altivos; despreza-os”. A mentira faz parte de uma constelação de sentimentos que refletem a baixeza e o receio. Está na hora de certos políticos brasileiros pararem de mentir!

(Artigo publicado no jornal A Razão de 5 de novembro de 2007)

* UFSM



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