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Envelhecer

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Com o passar dos anos, acho que venho falando mais com os mortos do que com os vivos. Talvez por saudade ou talvez por comodismo, eles não me questionam. Ou, talvez, porque em minhas revoadas ao passado encontre mais interlocutores do lado de lá, do que no de cá. Embora não sintonize com o refrão “no meu tempo”, é nele que busco as verdades para amoldar-me ao presente.

Quero falar sobre a Reforma Universitária, por ela batalhamos há muitos anos, e, hoje aposentada, vejo a rasteira que nos é dada. No Anteprojeto de Lei que regula o Sistema Federal da Educação Superior, de 06/12/2004. No art.48, estabelece uma cota de 50% para os alunos oriundos das escolas públicas. Ocorrerá um tsunamis! As vagas nas escolas públicas serão disputadas palmo a palmo e o número de excedentes serão as próximas vítimas. Qual será a solução para esta demanda, uma vez que o 2º. grau é de responsabilidade dos Estados? Sem querer jogar pimenta, recordo que os governadores estão aumentando os impostos para tentar, não digo sair do vermelho, mas pelo menos deixar rosinha . Não ignoramos a possibilidade de ajuda federal, mas o que se tem ouvido é a dificuldade destas aportarem nos cofres estaduais.

Ainda, por cima, vem o deputado Ivan Valente, na Folha de S. Paulo, de 11 de dezembro de 2004, A3, nos informar que os benefícios fiscais dados à Instituições de Ensino Superior Privadas chegaram ao valor de R$ 2,4 bilhões, em contra partida os recursos repassados ao setor público, para o custeio das 54 universidades federais, ficaram em R$ 695 milhões. Procurando entender o raciocínio circular, no documento da Reforma Universitária, lemos no art. 43: “As despesas com inativos e pensionistas das instituições federais de educação superior, sem prejuízo de seus direitos específicos, correrão à conta do Tesouro Nacional, mediante alocação de recursos de fontes que não as referidas no art. 41.” É a desvinculação total dos mesmos com a sua universidade de origem, é o fim da isonomia entre ativos e inativos.

Comemora-se muito a parceria da China e do Brasil. O Presidente e os Deputados lá estiveram e voltaram satisfeitíssimos com o que viram e negociaram. Mas creio, que com os olhos repletos de $, não puderam enxergar aquela cultura milenar. Onde há respeito aos idosos por suas vivências e onde os mais moços bebem na sua sabedoria. É a História que faz uma Nação. No Brasil, para os velhos sobram os asilos. E, os inativos das Universidades sofrerão a punição por terem ACREDITADO.

Para 2005 não me atrevo a prever nada, que o MEC prenuncie o futuro, pois o que, no momento, nos oferece nós REJEITAMOS.

* SEDUFSM



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