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Sindicato: 18 anos de história e ação

Por:  Clóvis Guterres*

Vivemos um momento de crise no sindicalismo brasileiro marcado pelas ameaças de reforma sindical sob um governo de lideranças e base sindicalista. As contradições são muitas assim como as fragmentações decorrentes das interpretações dadas por diferentes sindicatos, partidos e movimentos sociais. As crises políticas constantes em conseqüência de escândalos políticos e de corrupção generalizada têm contribuído de maneira significativa para uma espécie de desilusão com a política no Brasil.

Uma espécie de pessimismo do coletivo oportuniza e aprofunda o discurso daqueles que colocam os interesses pessoais acima dos interesses sociais. Esse estado de espírito se reflete também no esvaziamento das assembléias sindicais, ressalvadas as convocadas para tratar de precatórios. Neste contexto a memória coletiva se transforma em amnésia de tal forma que as conquistas são esquecidas, minimizadas ou sufocadas pelas exigências do presente seja em termos de desempenho ou ganhos financeiros.

O direito de greve dos funcionários públicos, por exemplo, conquistado após décadas de enfrentamentos através das associações de classe, hoje sindicatos, conquistado em 1988, não passa, atualmente, de mero enunciado constitucional ainda não regulamentado. Recentemente, na ausência de regulamentação validou-se, provisoriamente, a legislação do setor privado. O temor de muitos que defendiam a não regulamentação, parece se concretizar, isto é, que a regulamentação que deveria viabilizar o direito acabe por inviabilizá-lo. Problemas mais recentes como a criação da categoria de professor associado, as tentativas de reforma universitária e, na versão mais atual, no REUNI, tem sido objeto de contínuos debates e enfrentamentos internos nas universidades e com os governantes.

A SEDUFSM, criada em 7 de novembro de 1989, tem participado efetivamente, nestes 18 anos, de todas as lutas em defesa universidade pública, gratuita e de qualidade. A Seção Sindical Docente nasceu de uma ruptura pacífica com a APUSM, uma vez que na época seus dirigentes defendiam a criação de um sindicato local em contraposição àqueles que defendiam a transformação das associações em seção sindical para compor o ANDES – Sindicato Nacional, que até então era uma Associação de Docentes do Ensino Superior.

Transformações originadas como já me referi, na aprovação do direito de sindicalização dos funcionários públicos a partir da Constituição de 1988. Como a APUSM abriu mão da prerrogativa de transformar-se em seção sindical segundo um cronograma estabelecido nacionalmente, um grupo de professores tomou a iniciativa e criou a SEDUFSM. Mas, o movimento docente na UFSM só pode ser compreendido a partir das lutas iniciadas em 1967 quando da fundação da APUSM, cujo caráter associativo foi se tornando mais sindical, na prática, a partir da abertura política e, principalmente, na gestão do professor Sérgio Pires.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 19 de novembro de 2007)

* SEDUFSM



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