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A palavra

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

O show pirotécnico que se consolidou como um adeus ao ano que termina e os votos de boas vindas ao que está iniciando, marcou a despedida de 2007. E sua luminosidade foi uma festa de esperança para o ano de 2008. Ao olhar aqueles fogos e luzes, que ano a ano se apresentam como um espetáculo indescritível, via entre eles, fazendo piruetas o termo “palavra”.

Sem esperar que 2008, ainda criança, descobrisse o mundo que o aguardava, fui procurar nos dicionários Aurélio e Delta Larouse o significado do termo. Não me causou surpresa, friamente eles me diziam: “... palavra, fonema ou grupo de fonemas com uma significação; termo, vocábulo. Faculdade de expressar idéias por meio de som articulado; fala. Modo de falar”. O Delta Larousse cita também: “... palavras, substantivo, feminino, plural – Promessas vagas, vazias, discursos vãos”. Mal tinham acabado os feriadões, os fogos que em nossa memória ainda espocavam e as notícias já anunciavam alterações nas políticas governamentais.

O fim da CPMF teria em sua contra partida a criação de impostos e cortes orçamentários. Mais uma vez funcionários públicos federais que durante o ano de 2007 não obtiveram aumento, embora Constitucional, que passaram meses em tratativas com o governo, estão sem previsão de verem seus salários reajustados. Os professores federais do 1º, 2º e 3º graus vêm ao longo das últimas décadas assistindo a deterioração de seu poder aquisitivo. Houve um tempo que depois de a palavra ser dada não havia forma de retroatividade. Era o tempo do fio de bigode e da palavra de honra, que hoje caiu em desuso, tanto os termos como as ações.

Não quero ser ingênua e dizer que todos assim se comportavam, mas em público, há,á,á... que assim agiam, agiam. Hoje a galhofa é institucionalizada, é até sinal de esperteza, vivacidade e aplaudida pelos correligionários. Nosso Presidente no apagar das luzes de 2007, declarou que não seriam criados novos impostos e deu um pito no Ministro Mantega para que calasse a boca.

Nós pobres mortais acreditamos que o Ministro estava em desacordo com as diretrizes governamentais, mas, após os fogos de artifícios, ficamos sabedores, através de entrevista do Ministro, que o “cala-te boca” valia apenas para 2007. Em 2008 seria outra conversa. Estou desconfiando que a “palavra” que visualizei na noite dos foguetes estava incompleta, faltou o termo “ônibus”, porque nos dicionários a palavra-ônibus é aquela “que tem larguíssimo número de acepções, prestando-se, dentro de certos limites, à expressão de numerosíssimas idéias”.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 21 de janeiro de 2008)

* SEDUFSM



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